GILBERTO MARINGONI: Os de cima já falam em impeachment. É verdade esse bilete?

Bolsonaro foi às cordas nesta semana. As cenas dantescas das pessoas morrendo em Manaus, a falta de sensibilidade presidencial, a comoção nacional, a estupidez bovina de Pazuello, a mentira das vacinas indianas e muito mais entram na conta. A saída da Ford, um sinal estridente da desindustrialização, conta bem menos, mas serve de alerta ao topo da sociedade. Além do genocídio dos pobres, Bolsonaro e seus capangas podem trazer perda de dinheiro.

O agronegócio começa a ficar preocupado. Embora as exportações estejam bombando, pelo real barato, nada garante que a China não comece a produzir soja nas savanas angolanas já arrendadas e que uma soma da produção dos EUA, Argentina e Paraguai não supra o mercado do país asiático nos próxiomos anos (ninguém sabe a quantas andam os estoques mantidos por Pequim). Seguir criando rusgas com nosso maior parceiro comercial pode não importar agora, mas ninguém sabe das tendências futuras desse mercado.

O isolamento internacional aumentará com Biden buscando se diferenciar de Trump naquilo que não é essencial para o mundo dos negócios. Retrato acabado da situação de pária em que nos encontramos é o tapa na cara desferido pela Índia no já citado caso das vacinas.
RADAR – Assim, começa a entrar no radar das classes dominantes – a gosma composta por alta finança, donos da mídia, agronegócio, crime organizado e o que resta da indústria – a possibilidade de um impeachment. Era algo até aqui fora da pauta e essa é a novidade dos últimos dias.

SINAIS, FORTES SINAIS – O Jornal Nacional desta sexta (15) já abriu generoso espaço a Mourão, externando palavras “sensatas” sobre qualquer coisa e exibiu reportagem em Manaus mostrando as forças armadas construindo hospitais de campanha. É uma forma de limpar um pouco da lambança castrense dos últimos anos.

Qual o nó a ser desatado para que o impeachment prospere? A sucessão. Hamilton Mourão parece ainda não despertar segurança entre os interessados na retirada de Bolsonaro. Sem nenhuma experiência política, tosco e truculento, o vice pode se comportar como um Bolsonaro sem a legitimidade do titular, o que geraria um governo frágil. Maia admitiu que pode haver um processo de impeachment num futuro qualquer. O pusilânime presidente da Câmara não fala de graça: certamente há conversações a respeito entre a direita.

Em contraponto, Bolsonaro ainda é popular nas pesquisas, tem milícias, igrejas e parte expressiva das PMs ao seu lado. Tirá-lo sem solidez social maior ainda é um risco de haver turbulências políticas. Ele não brigou com sua base social.

O que isso coloca para a oposição? Que, paradoxalmente, a campanha a ser levada adiante talvez não seja pelo impeachment a seco, o que pode levar Bolsonaro a se apresentar como uma vítima “dos corruptos do PT” e “dos que querem roubar o Brasil”.

A campanha mais indicada, em meu modesto entender, deveria seguir com a pauta dos crimes concretos do bando eleito em 2018: denúncia da crise sanitária, da falta de auxílio emergencial, de insensibilidade com a dor das pessoas etc. etc.

Isso é que dá sustança ao pedido de impeachment.

Por: Gilberto Maringoni.

Bolsonaro foi às cordas nesta semana. As cenas dantescas das pessoas morrendo em Manaus, a falta de sensibilidade presidencial, a comoção nacional, a estupidez bovina de Pazuello, a mentira das vacinas indianas e muito mais entram na conta. A saída da Ford, um sinal estridente da desindustrialização, conta bem menos, mas serve de alerta ao topo da sociedade. Além do genocídio dos pobres, Bolsonaro e seus capangas podem trazer perda de dinheiro.

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