CESAR BENJAMIN: Impeachment de Crivella e crise no Rio de Janeiro

Não estou acompanhando de perto a política municipal do Rio de Janeiro. Mas a alegação para a abertura do processo de impedimento do prefeito Marcelo Crivella parece-me fraca. Coisas assim só acontecem com governos muito desgastados, como é o caso.

Chama a atenção o colapso da Casa Civil, responsável, entre outras coisas, pela articulação política da Prefeitura. Coisas do arco da velha foram feitas em nome dessa articulação. Os recursos do programa de recuperação da infraestrutura das escolas, por exemplo, foram confiscados pela Casa Civil em nome dos custos dos acordos políticos. Fui exonerado, em meados de 2018, por não aceitar isso.

Uma das minhas últimas decisões, ainda como secretário, foi “emprestar” recursos da SME para a Comlurb, a pedido do secretário da Fazenda, para evitar a paralisação da coleta do lixo, pois a Casa Civil estava inadimplente com as empresas (a Comlurb é um órgão da Casa Civil). Hoje leio que a coleta poderá ser paralisada nos próximos dias. O problema se arrasta, pois, há quase um ano, sem solução. É um serviço essencial para a vida da cidade.

Depois da minha saída, o projeto educacional, que estava em curso com grande êxito, foi destruído. A SME virou um puxadinho da Casa Civil, a serviço de ambições políticas. Leio que falta até merenda nas escolas.

A covardia de Marcelo Crivella, a ambição de Paulo Messina, que queria colocar a SME a serviço de sua carreira pessoal, e a traição de Talma Suane são responsáveis pelo colapso da educação no Rio de Janeiro. Quem paga a conta são as crianças. É um altíssimo preço para a sociedade.

Em junho de 2018, já durante a crise, fui convocado à Câmara de Vereadores para prestar contas do que estava em curso na SME. Fiz, então, um pronunciamento razoavelmente longo mas verdadeiro, evitando qualquer ufanismo. Apenas dois vereadores estavam em plenário, o que dá uma ideia da qualidade da nossa Câmara.

Meu pronunciamento acabou se tornando um registro do projeto educacional frustrado pela politicagem. Praticamente tudo deixou de existir.

Por Cesar Benjamin

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