GILBERTO MARINGONI: Impeachment pede frente amplíssima

O Brasil caminha para um possível processo de impeachment de Bolsonaro. Mas não está na ordem do dia e sim na ordem dos desejos. Pode se tornar uma campanha maciça? Pode, mas não se sabe quando. A maneira como se coloca a tarefa cria um paradoxo sério para algumas correntes políticas.

Estamos todos confinados e não há como realizar manifestações de rua. Embora o presidente não tenha controle do Congresso, também não existe uma maioria de 2/3+1 contra ele, para viabilizar sua saída.

A maior parte dos que clamam pelo impeachment de Bolsonaro prega a formação de uma frente que envolva apenas a esquerda. No entanto, para se obter a abertura de um processo de tal ordem, o leque de forças a ser constituído deve envolver a velha direita (DEM, PSDB, PMDB e outros mais), o centro (PT, PSB, PDT, Rede), a esquerda (PSOL e PCdoB), além da esquerda sem representação parlamentar (PSTU, PCB, PCO). Entram nessa somatória o movimento social, além de parcela expressiva do empresariado, incluindo a Globo.

Quem quiser bradar Fora Bolsonaro, Impeachment já, Retirar Boslonaro etc., deve seguir fazendo. Não atrapalha. Mas só se ganhará a maioria da população através do combate duro à pandemia no sentido político, buscando desmascarar a hipocrisia genocida da extrema-direita sobre a população pobre. E o combate à pandemia envolve muito mais do que a esquerda.

Assim, clamar por frente de esquerda e impeachment é uma combinação tão improvável quanto “inteligência militar”, “milagres da ciência”, “crítica construtiva” ou “poesia concreta”.

A construção de uma amplíssima frente deve ter como ponto de união de seus membros (ou programa básico), a saída democrática de Bolsonaro do governo e a erradicação do covid-19. São propostas radicais, ou seja, vão à raiz dos problemas imediatos.

A disputa pelo programa econômico pós-boçal não tem condições de ser feito nessa fase da luta.

GILBERTO MARINGONI Impeachment pede frente amplíssima bolsonaro

1 Comentário

  • Primeiramente, para uns, um enfadonho relato, que, entretanto, pretende sustentar a conclusão final.
    Quando, no dia 15 de dezembro de 2018, fui informado por uma pessoa gaguejante, bastante nervosa, desejosa de dizer o mais rapidamente possível o que me diria, de que havia um plano para me assassinar em Itajubá (MG) entre o Natal e o Ano Novo de 2018, a primeira atitude que tomei foi adotar medidas de segurança, deixando de morar na quitinete em que, durante 7anos, residira até então, quase sem ser muito incomodado. Gastei o dinheiro de minha reserva estratégica para eventuais cuidados com a saúde, pagando diária em hotéis de Itajubá, sempre um hotel diferente no dia seguinte, andando de Taxi trechos que, antes, percorria a pé, indo a/e vindo de imobiliárias de Pouso Alegre, cidade próxima a Itajubá, onde fui procurar, às pressas, um novo lugar para morar (dois meses depois de me mudar para Pouso Alegre, não me sentindo muito seguro, dada a proximidade de Itajubá e ao estado de alerta em que se fica quando sabemos que poderíamos ter sido mortos à bala, deliberei pedir ajuda para o meu irmão, e voltei a morar no Rio, ficando sem o bem estar em viver em uma cidade do Sul de Minas. Meu irmão parece não levar muito a sério as medidas de segurança que observo até hoje, em constante estado de alerta, verificando se estou sendo ou não seguido, saindo poucas vezes à rua. Talvez seja paranóia. Talvez seja procedente. Quem pode assegurar? Também a sério não levaram as minhas denúncias, as pessoas e partidos que informei na ocasião sobre a trama em Itajubá. Se salvei minha vida, o fiz sem nenhuma ajuda, me utilizando de regras antigas de segurança). Tendo me transferido para Pouso Alegre a partir do dia 13 de janeiro de 2019, me sentindo, em um primeiro momento, um pouco mais seguro, comecei a refletir sobre o grupo de indivíduos que planejaram me matar por motivação política, segundo a denúncia que recibi de um deles (membro de uma Igreja neopentecostal a quem serei sempre agradecido e cujo nome prometi não revelar), levando em conta a heterogênea composição social desse grupo (ex-PMs, contraventores, donos de pequenos e médios estabelecimentos comerciais, como uma auto-escola, donos de algumas imobiliárias, uma administradora mercantil de corpos e prazeres femininos de aluguel, evangélicos de seitas neopentecostais e até traficantes, entre esses últimos, muitos jovens que circulam pelas ruas de Itajubá que, para minha imensa surpresa, fizeram campanha ativa para Bolsonaro, principalmente durante as madrugadas, trabalhando na fixação de cartazes e faixas. Vale destacar que a aticulação desse grupo poderia ser facilmente percebida por um observador atento); conhecendo ainda as grandes manifestações de rua em 2016 (com mais de 2000 pessoas em uma cidade com menos de 80 mil habitantes) contra Dilma, com grande presença de maçons, ruralistas e militares do batalhão de engenharia; tendo ouvido também recorrentes e entusiasmadas conversas de apoiadores de Bolsonaro durante a campanha de 2018 (o miliciano foi massivamente sufragado na cidade), conversas que sinalizavam a necessidade de lutar contra a oposição que previam que o miliciano teria do Congresso após a sua vitória (a mais detalhada destas projeções ouvi, dentro de uma barbearia, de um capitão do exército, que, com franca intenção de fazer campanha para Bolsonaro em seu diálogo com a pessoa que lhe cortava o cabelo, descrevia para quem quisesse ouvir as dificuldades que acreditava que Bolsonaro conheceria para implantar o seu programa, concluindo que seria necessária muita pressão das ruas para superá-las). Foi a partir dessas reflexões que generalizei dialeticamente a realidade vivida em Itajubá para o restante do Brasil, levando em conta ainda os embates de campanha travados nas redes sociais contra os bolsonaristas durante as eleições (participei da campanha nas redes com um nome fake). Essas generalizações me levaram a concluir que o projeto político de Bolsonaro e seus acólitos era um golpe de estado. Por isso, desde janeiro de 2019, passei a postar comentários nas redes sociais e no blog do Miro, tentando chamar a atenção para esse golpe de estado. Perdi a conta do número de vezes em que petistas e pedetistas tentaram desqualificar as minhas preocupações, tomando-me por paranóico alarmista (a interferir, suponho, na “importantíssima” campanha que uns moviam contra Ciro e Bolsonaro, e outros, contra Lula e Bosonaro). Desconheço quem, antes de mim, tenha tentado, desde fins de janeiro de 2019, chamar a atenção para as intenções golpistas de Bolsonaro. Reconheço em Nassif o primeiro blogueiro progressista a sistematizar com dados de investigação jornalística a denúncia da existência de um projeto golpista bolsonarista em curso. As cartas estão lançadas. Não há mais lugar para indefinições: ou Bolsonaro aplica um golpe vitorioso durante a pandemia e antes das eleições municipais, ou terá que ser, primeiro, por força e ação de uma Frente Ampla e Democrática contra o golpe, afastado da Presidência, impeachemado e, por último, condenado, no Brasil, por tentativa de golpe contra as instituições democráticas, na Holanda, no Tribunal de Haia, por crime de lesa humanidade.

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