Intervenção do Leme ao Pontal

O ocupante do Poder Executivo do Brasil anunciou nesta sexta (16) a intervenção federal no Estado do Rio de Janeiro. Numa coletiva deprimente, o presidente apostou as poucas fichas que lhe restam na remediação da crise carioca. O governador do Rio, de pé e mão grande, se pronunciou de forma envergonhada. Lembrou muito o famoso vídeo da secretária Soninha Francine (PPS) sendo demitida e tendo que falar ao lado de seu algoz. Pezão era Soninha, e Temer…
Temer pode ser Dória.
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A reforma da previdência foi enterrada junto com a dignidade dos governantes do Rio de Janeiro. A Constituição veda PECs (proposta de emenda à Constituição) durante o período de vigência de intervenção federal. Temer não tem poder sequer para aprovar uma micro reforma, quiçá suspender uma intervenção para votar uma reforma moribunda. Apesar de dizer aos quatro cantos que conseguirá, a verdade parece ser muito mais dura.
Os bandidos do Rio de Janeiro salvaram os trabalhadores do Brasil. O maior legado de Pezão, sem dúvida.
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A segurança pública é a grande pauta deste ano. Nas pesquisas dos partidos políticos, é a mazela que mais preocupa os brasileiros em 2018.
Temer, atrasado, tomou alguma atitude. Não sabemos se irá funcionar, empiricamente ninguém sabe, já que é a primeira vez que isso de fato acontece. A sondagem do secretário Beltrame para o Ministério da Segurança Pública muito me agrada. Acredito que seja um nome bom e um homem correto no meio de tanta gente incompetente e pilantra.
As mídias progressistas prontamente trataram de aproveitar o momento de fragilidade para defender posições burras e irresponsáveis. Num estado de semi-anarquia como o que se encontra hoje no Rio de Janeiro, é irresponsável e irracional comparar a intervenção com um AI-5.
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A esquerda tem o dever de pensar uma alternativa pra segurança pública se quiser ter alguma chance nas eleições deste ano. A omissão dos candidatos para não ferir as bases que dizem representar só irá fulanizar este tipo de debate.
Lula e o PT são um dos responsáveis pelo caos que se instaurou na cidade. São fiadores do governo do PMDB. Tem a obrigação de apresentar uma solução que não passe pelas mãos do sofisma de sua bancada, que hoje tratou de fazer um desserviço ao diminuir um debate tão sério.
É evidente que lugar do exército não é patrulhando ruas. Acho que esse papel não caberia nem a polícia militar. Contudo, apresentar as críticas sem uma alternativa a curtíssimo prazo é dar munição ao inimigo.
É necessário pensar numa alternativa cidadã e eficaz, que combata a criminalidade com inteligência e eficácia, sem o desrespeito às garantias mínimas. Não é uma tarefa simples, pois a dicotomia entre eficácia e direitos humanos parece intransponível. Este é o desafio de Ciro, de Manu, de Boulos e do preposto de Lula.
O inimigo agora é outro.

1 Comentário

  • Esqueceu que este desafio também é de Bolsonaro, quer queira, quer não.

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