JONES MANOEL: Contra os jacobinos! Viva os gerondinos!

Abraham Lincoln, presidente dos EUA, era acusado, durante a Guerra Civil do país, de jacobinismo. O motivo? Lincoln governou através do estado de exceção. Suspendeu o habeas corpus, ignorou o congresso e exerceu o poder por decreto-lei, instituiu toque de recolher, censura e afins. A caneta e a espada eram suas armas de governo preferidas. Os liberais dos Estados Unidos e Inglaterra, com razão, chamavam Lincoln de déspota e compararam ele com Robespierre. Os nossos liberais dos dois lados do Atlântico defendiam os direitos naturais do homem: vida, propriedade e liberdade. Incluso, é claro, a propriedade sobre os escravos, seres sem direito aos direitos naturais do homem.

Lincoln não foi o primeiro. Várias personalidades foram acusadas de jacobinismo. Que partido, líder ou movimento não foi acusado de ser jacobino?

Eric Hobsbawm, décadas atrás, foi defender a Revolução Francesa, e em especial os jacobinos (e seu terror?), dos ataques do liberal e reacionário François Furet. Furet era contra a violência na política. Inimigo declarado do jacobinismo, leninismo e do stalinismo, tinha visão limitada. Só viu violência nesses três – a julgar pela sua compreensão da história, Luther King não precisava ter um sonho. O mundo já era um paraíso.

Eric foi acusado de normalizar o terror jacobino. Corajoso, mais de três décadas no passado, disparou suas baterias contra Hannah Arendt quando a filósofa disse que a Revolução Francesa foi violenta, o germe do totalitarismo, e a Americana, democrática, pacífica, um passeio no parque. E os escravos que permaneceram na Revolução Americana? Bem, Locke já explicou: eles não têm direitos naturais!

Domenico Losurdo, um adorador do satanás, no seu livro “Guerra e Revolução” mostra como a contabilidade criativa, esporte preferido de certos historiadores, chegou ao jacobinismo. Agora se fala em 30, 40, 50 mil mortes provocadas pelo terror de Robespierre! Por que não 100 mil?

Bom era no tempo dos Gerondinos, me disse o bisavô de um burguês. Lá não tinha autoritarismo. Os direitos dos humanos eram respeitados – mas nem todos eram humanos, como bem mostrou Tocqueville.

Quando Marat teve a terrível ideia de uma escola pública e universal para todos, até para os sem propriedade financiada com o dinheiro dos com propriedade (via imposto), o mundo entrou no terrível caminho dos inimigos da Sociedade Aberta.

Graças a Deus, mesmo o Brasil tendo vários departamentos franceses de ultramar, aqui nunca se gostou muito dos jacobinos. Aqui somos gerondinos e com gosto. Por isso as instituições funcionam bem e a democracia segue forte!

Viva os gerondinos!

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