Festa, trabalho e pão: JK e o reencontro com um projeto de País

Existem várias maneiras de reconectar um povo a um projeto de Nação. São inúmeros os filmes, séries, livros e musicais que relatam as façanhas dos heróis norte-americanos. A indústria cultural de Hollywood está colada à defesa do projeto nacional ianque e tem como principal objetivo que os Estados Unidos continuem a ser a indispensable nation no concerto das nações.

Do lado de cá, hesitamos. É por isso que a Fundação Brasil Meu Amor idealizou o Espetáculo JK: Um Reencontro com o Brasil, que mistura, em um só show, canções populares e autorais, projeções, jogos sonoros e de luz, citações e vídeos.

 

É por isso que a Fundação Brasil Meu Amor idealizou o Espetáculo JK: Um Reencontro com o Brasil, que mistura, em um só show, canções populares e autorais, projeções, jogos sonoros e de luz, citações e vídeos.

 

Festa, trabalho e pão: Juscelino Kubitschek representa o Brasil grande. Seu governo entrou para a história por causa de um programa de industrialização sem precedentes (consubstanciado no famoso “Plano de Metas”), que permitiu expandir e manter no Brasil a renda aqui produzida – e não importar máquinas, serviços e, até mesmo, bens culturais do estrangeiro. Indústria, indústria, indústria. A altivez na determinação dos objetivos políticos, a audácia na negociação e execução dos planos, o cuidado constante com o povo brasileiro e a democratização do poder político, econômico e do conhecimento tinham como lastro o parque industrial que JK foi capaz de criar em apenas 5 anos.

O espectador tem um desafio diante dos olhos: a variedade de temas. O espetáculo é sobre JK e não é sobre JK. A sucessão incessante de tópicos, ao mesmo tempo, aponta para a história de JK, mas a ela não se restringe. Trata-se de apontá-lo, aprender com ele e – finalmente – superá-lo: trazê-lo ao presente. Subir nos ombros do gigante na esperança de, mesmo pequeninos, ficarmos maiores que o próprio. É desse tipo de ambição nobre que o espetáculo bebe.

A banda é a joia da coroa do espetáculo. Os arranjos são magistralmente concebidos. A fluência, a leveza e a cadência das batidas contam, por outra chave, o que as projeções e as canções explicitam diante dos olhos. É a sensação que se tem quando conta-se a história da cassação de JK pela ditadura e a banda toca “Pra não dizer que não falei das flores”, de Vandré, seguida de “Peixe vivo”. É o Brasil de JK e das Reformas de Base que se nos apresenta, com toda sua precariedade e potencialidade. Olhando mais fundo, percebe-se que não se trata apenas do “Brasil de JK e das Reformas de Bases”, mas do País que ainda é possível retomarmos.

 

É por isso que a Fundação Brasil Meu Amor idealizou o Espetáculo JK: Um Reencontro com o Brasil, que mistura, em um só show, canções populares e autorais, projeções, jogos sonoros e de luz, citações e vídeos.

 

O espetáculo é também uma imersão na brasilidade tal qual Darcy Ribeiro ensinou. A miscigenação de índios, africanos, europeus e asiáticos que aqui se deu se reflete, no show, na mistura de arranjos, projeções, vozes e batuques. O Brasil que emerge daí é o País dos índios, dos escravos, dos imigrantes, dos zés ninguéns. Esse é o Brasil que, do nada, da ninguentude, criará tudo, um povo novo: uma nova forma de civilização, a civilização dos trópicos, capaz de ostentar orgulhosa a mistura de todos os fluxos migratórios do planeta.

Nossa tarefa programática deve ser refundar o campo político nacionalista: a aposta nacional, a aposta nas potencialidades do Brasil e dos brasileiros sempre valerá a pena. Nossa tarefa pessoal deve ser nos transformarmos a nós mesmos no meio dessa caminhada: com generosidade e grandeza, sem medo ou vergonha, de cabeça erguida, com fé inquebrantável, resistiremos – e sonharemos. Como diz Mangabeira, é desse encontro entre compromissos programáticos e aspirações pessoais que surgem as verdadeiras mudanças.

Festa, trabalho e pão: o projeto de país a que aspiramos não está tão distante do que supomos e do que um dia já vivemos. Recordar JK é, ao mesmo tempo, reconectar-se ao passado para reconstruir as bases de um Brasil que lateja vivo em nós mesmos: que todos os brasileiros possam desfrutar dos bens comuns da Pátria.

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