JOÃO VICENTE GOULART: 7 de setembro, a legalidade e o dia do Fico

Por João Vicente Goulart – O “dia do Fico”, ficou conhecido na história nacional como o início de revolta de Dom Pedro, em 9 de janeiro de 1822, contra as ordens de Bragança ao seu retorno ao Império em Portugal.

Essa animosidade durou alguns meses até que no dia 7 de setembro de 1822, diante de um ultimato da corte portuguesa, Dom Pedro, que se encontrara em São Paulo, montou em um corsário brioso, levantou sua espada a beira do arroio Ipiranga e promulgou o “grito do Ipiranga”.
O Brasil era livre de Portugal, mas com um imperador português.

Paradoxalmente, em agosto de 1961, 139 anos após a independência, outro governante brasileiro, no dia 25 daquele mês, passava em revista as tropas da nação brasileira, no dia do soldado e, silenciosamente, calado dentro de seu maquiavelismo político, arquitetava dentro de sua mente, o seu “dia do fico”.

Jânio Quadros renunciava ao poder, à presidência da República, com um discreto papelucho de folha de bloco de notas, escrito à mão e dirigido ao Congresso Nacional, jogando o país na incerteza constitucional, com pretensões imperiais e golpistas de perpetuar-se no poder.

Jango, vice-presidente eleito, longe e em missão oficial, na República Popular da China, viu-se ameaçado pelos militares da corte janista, os golpistas Silvio Heck, Grunn Moss e Odílio Denys, de assumir constitucionalmente o poder, o que a Constituição de 46 lhe garantia por meio do voto soberano das eleições de 1960.

O país mergulhou, então, em uma crise constitucional e política, tendo que o governador Leonel Brizola levantar o movimento da Legalidade para fazer cumprir a Constituição brasileira. Um dos mais belos “gritos de independência” em defesa da Constituição brasileira.

Os militares golpistas tiveram que ceder a este “grito da independência”, mesmo que para pacificar a nação tenha sido aprovada a emenda nº 4 parlamentarista, que foi derrubada posteriormente com o plebiscito que devolveu a Jango os poderes presidenciais.

Apesar das tentativas de bombardear o Palácio Piratini e derrubar o avião que levaria o vice-presidente para Brasília, na operação Mosquito da Força Aérea, Jango toma posse no dia 7 de setembro de 1961, com as seguintes palavras na sua posse:

“Sabem os partidos, sabem os parlamentares, sabem todos que, inclusive por temperamento, inclino-me mais a unir do que a dividir, prefiro pacificar a acirrar ódios, prefiro harmonizar a estimular ressentimento”.

7 de setembro não é somente o grito do Ipiranga, é também a posse de João Belchior Marques Goulart, 24º presidente constitucional do Brasil, morto no exílio, deposto pela sangrenta ditadura que golpeou a Constituição brasileira e que submeteu o povo brasileiro a 21 anos de escuridão e silêncio.

Por: João Vicente Goulart.
Diretor IPG-Instituto João Goulart

1 Comentário

  • Se não fosse a dignidade e altivez do Nosso Presidente Jango hoje não posso imaginar como estaria o Brasil. Ele é o grande herói da PÁTRIA. Foi digno demais ao evitar uma guerra civil. Presidente JOÃO GOULART. Ontem, hoje e sempre. Beijo de gratidão.

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