Joice Hasselmann no Roda Viva: a “soldada ferida e abandonada”

A ex-jornalista e atual deputada federal paranaense, mas eleita por São Paulo, Joice Hasselmann, foi a entrevistada de hoje no programa Roda Viva. É uma mulher visivelmente magoada.

Tratando seus detratores como “meninos”, a deputada foi ao ringue com mais cautela na noite desta segunda. Parecia acuada diante dos entrevistadores. Focando seus ataques nos filhos do presidente (os “meninos”), mostrou-se fiel ao capitão presidente, mesmo após a humilhante destituição que sofreu na semana passada. Criticou a máquina difamatória de Carlos Bolsonaro, o despreparo prepotente de Eduardo e a moral frouxa de Flavio. Jair, continuou quase irretocável.

Mostrando-se bastante ofendida com o tratamento dado pela máquina difamatória presidencial, Joice citou inúmeras vezes as montagens e associações pejorativas que sofreu nos últimos dias. Com frases como “a vítima da vez sou eu, depois serão outros”, a paranaense acusou Carlos e seus irmãos de criarem uma máquina de Fake News com dinheiro público. Não que isso seja alguma novidade. O “gabinete do ódio”, como é chamado, já destituiu ministros e humilhou ex-aliados. Muitos destes achincalhamentos contavam com o apoio da deputada, como bem lembrou a bancada durante o programa.

A ex-jornalista participou ativamente do leviatã Bolsonarista. Durante a campanha, afirmou que uma revista havia recebido 600 milhões para falar mal do então candidato Jair Bolsonaro. Para além do valor completamente irreal (uma movimentação desse tamanho não se faz às escondidas), nenhuma revista hoje no Brasil tem uma relevância de 600 milhões. Aliás, nenhuma revista nunca teve.

Escondendo-se na atuação jornalística anterior, a deputada defendeu estas e outras mentiras no decorrer do programa. Disse que era sua “função jornalística” denunciar uma suposta fraude nas urnas, que estariam viciadas e forçando o eleitor a votar no então candidato Fernando Haddad. Uma mentira psicodélica que constrangeu a todos, inclusive a própria entrevistada. Quando desmascarada, Joice perdeu a pose e ensaiou algum recuo. Uma situação completamente vexaminosa.

A maior novidade dita pela deputada foi o incisivo autolançamento de sua candidatura à prefeitura de São Paulo. Num partido em frangalhos e onde qualquer índio espertinho pode tornar-se cacique, Joice lançou sua candidatura sem o apoio de ninguém e parecendo isolada. Confrontada sobre seu conhecimento acerca da maior cidade da América Latina, Joice desconversou e manteve a verve que elegeu Bolsonaro. Disse que queria ser prefeita para “Não deixar a esquerda vencer a eleição”.

Acenando a João Doria, a ex-jornalista abriu o leque de possibilidades. Caso a intriga com a monarquia Bolsonaro fique ainda mais insustentável, a candidata já demonstrou ter jogo de cintura para jogar mais ao centro.

Tal monarquia parece que, por enquanto, vence o jogo. A mágoa de Joice não parece suficiente para tirar dela qualquer tipo de denúncia que possa culminar na queda do governo. Hasselmann e cia não parecem ter os mesmos poucos escrúpulos de Pedro Collor e a crise parece que desencadeará para um aggiornamento em torno do presidente Bolsonaro.

Joice é, segundo a própria, uma “soldada ferida e abandonada”. Mas ainda é uma soldada.

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