JONES MANOEL: O fetiche da frente ampla

Um rapaz chamado Ricardo Cappelli, até onde sei membro do PCdoB, soltou um pequeno texto no Portal Disparada onde recomenda o livro “Como morrem as democracias” dos liberais, anticomunistas, antichavistas e antimarxistas Steven Levitsky e Daniel Ziblatt.

Que um membro de um partido que tem “comunista” no nome recomende esse livro horrível, já mostra o nível de degeneração do PCdoB. O mais interessante, porém, é que no decorrer do escrito, Cappelli liga o livro à “tese” de Dimitrov da eficácia da “frente ampla” no combate ao fascismo.

Acho esse argumento engraçado. Quando e onde na história a “frente ampla” derrotou um projeto fascista?

Na Itália? Não.
Alemanha? Não.
Chile? Não.
Espanha? Não.
Portugal? Não.
Hungria? Não.
Checoslováquia? Muito menos.

A tese de que frente ao fascismo ou um projeto de extrema direita a “frente ampla” mais ampla possível é a tática adequada é um fetiche. Sem comprovação histórica e necessidade de argumentos. E ao tratar as derrotas, o argumento é sempre o mesmo: faltou uma unidade mais ampla ainda…

Isso explica os motivos de Flávio Dino e o CC do PCdoB estarem fazendo conversas com FHC, José Sarney e afins em “defesa da democracia”.

A pergunta que faço é: em que Sarney vai ajudar na defesa da democracia?

Frente ampla é uma tática. Como qualquer tática, ela não deve ser recusada ou abraçada sem um forte juízo crítico e uma análise concreta da situação concreta.

E eu gostaria muito que alguém me mostrasse como FHC ajuda no combate ao bolsonarismo.

Por essas e outras, mesmo discordando de vários aspectos, eu recomendo muito o livro “O anti-Dimitrov” do comunista português Francisco Martins Rodrigues. O chamado “dimitrovismo” precisa ser debatido com mais profundidade.

Texto do Cappelli.

Por Jones Manoel

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