JONES MANOEL: A democracia e a radicalização da esquerda

Um famoso tucano, um mês antes de Bolsonaro assumir, disse que as “instituições vão moderar o radicalismo de Bolsonaro”. Na visão do tucano, o fundamento do regime democrático burguês são as instituições e sua estabilidade burocrática.

O tucano dito ex-marxista conhecido como José Arthur Giannotti expressou uma visão que permeia a maioria da esquerda brasileira e não poucos marxistas: a visão de que o grau de democracia do regime burguês depende principalmente ou em grande medida da ação das instituições e agentes políticos do Estado.

Rosa Luxemburgo, quase 100 anos atrás, falou que só o “socialismo é capaz de salvar a democracia”. Essa frase concluía um raciocínio muito simples e preciso: a democracia não é a forma eterna da dominação da burguesia. É apenas uma das formas possíveis. Em determinadas situações históricas, a burguesia pode descartar essa forma e adotar outra.

Hoje, no Brasil e no mundo, as classes dominantes buscam adotar outras formas de dominação de classe. A democracia burguesa morre de podre. Sem o medo do socialismo, da classe trabalhadora atuando, não existe motivo para reduzir essa tendência histórica. Sem o medo da revolução não existe motivo para entregar a democracia.

É por isso que rebaixar o discurso, a apologia das frentes democráticas, não terá qualquer efeito.

No discurso liberal a “polarização política” tem que ser evitada. Mas é só radicalizando pela esquerda que as liberdades políticas podem sobreviver.

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