JONES MANOEL: A chave de tudo é a organização política

Eu gosto do jovem (às vezes o jovem já passou dos 40 anos) emocionado da internet que fica pregando luta armada como “frase revolucionária” (conceito de Lênin) e chamando todo mundo de pelego (pois não tem um exército popular pronto), mas, veja só, não sabe o básico da arte da guerra, como, por exemplo, o que é um Exército. Ele acha que um ajuntamento de homens com armas é um exército ou uma organização armada. É não. A cara pensa força armada na forma anterior ao New Model Army da Revolução Inglesa.

Uma dica importante. Lênin, quando estava tentando construir o jornal bolchevique para toda Rússia, pensava a produção, distribuição e circulação do jornal como uma protoforma do braço militar bolchevique. A lógica era simples: produzir e circular um jornal ilegal por toda Rússia Czarista exigia um grau de organização, disciplina, coordenação, planejamento e flexibilidade de unidades locais que, caso o jornal saísse do papel, a estrutura básica de uma organização militar, em caso de avanço da luta de classes, já estaria formada.

– Cadeia de comando centralizada
– Circuito de informações e transmissão de decisões eficientes
– Quadros médios bem treinados e com capacidade operativa
– Unidades locais disciplinadas, coesas e com atuação flexível
– Capilaridade nos centros urbanos e lugares estratégicos.

Todos os historiadores com alguma qualidade, ao analisar a capacidade de formação de um comando militar e posteriormente do Exército Vermelho, destacam como o partido bolchevique, mesmo sem ter um dispositivo armado fixo significativo antes de 1917, conseguiu rapidamente fazer a passagem da luta em sua fase político-sindical para a político-militar.

Antônio Gramsci, nos Cadernos do Cárcere, ao definir sua teoria do partido político, pensa o partido na forma-exército. Gramsci entendeu bem a lição de Lênin.

Esse dado básico, não sabem. Se quer ter fetiche por armas, ao menos estudem ciência militar com alguma seriedade.

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