JULIANA BRIZOLA: Onde está o Deus-Mercado agora?

O nosso país vai ter que enfrentar suas mazelas sociais de maneira trágica.

A informalidade, hoje, atinge 40 milhões de brasileiros.

Ou seja, aqueles trabalhadores e trabalhadoras que não possuem renda fixa e precisam trabalhar diariamente para receber. São as nossas faxineiras, as nossas manicures, os nossos taxistas, dentre tantos outros.

Não bastasse a saúde pública precária do nosso país, o que pode acarretar em muito mais mortes do que em outros países, ainda temos um sistema de proteção social que não protege nem 1/5 de quem precisa.

“Ah, mas tem que acabar com a CLT, com as garantias/privilégios trabalhistas para que o país cresça”, eles disseram. Seguindo essa lógica, em 15 dias, teremos gente passando fome.

Sequer temos testes para todos, imagina leitos e respiradores?

É aí que entra a necessidade de um Estado indutor, que propicie políticas públicas para quem mais precisa, protegendo os mais humildes, que não podem pagar escola particular ou plano de saúde.

Proteção social. Nenhum país desenvolvido cresceu sem proteger seu povo.

Nessas horas, de tragédia, medo, insegurança e tristeza, seria muito bom ouvir uma palavra de conforto do “Deus-Mercado”. Será que ele pode resolver alguma coisa?

JULIANA BRIZOLA Onde está o Deus-Mercado agora

Quem sabe pedir aos bancos que doem seus lucros de um ano, apenas um ano, ao SUS?

Será que o “Deus Mercado” pode nos responder? Afinal, ele sempre tem as respostas e quem é seu fiel seguidor reza a cartilha de que “o Estado só atrapalha”.

O Estado deve/pode se eximir das suas obrigações constitucionais com a saúde pública? Ou, quem sabe, o Estado pode se eximir do caos econômico que a maioria da população irá viver nos próximos dias?

Sem falar nos maus tratos em relação aos nossos servidores públicos. Os servidores públicos, lembram? Aqueles que não trabalham, que só servem para “inchar” o Estado.

Pois é. Os educadores, os agentes da segurança pública, os servidores da SAÚDE… Adivinhem quem não fará quarentena, quem seguirá trabalhando pelo bem comum da população?

Quem despreza o servidor e o serviço público, quem os enxerga como um peso para o Estado, está na contra mão de quem quer um país desenvolvido para todos.

Educação para todos.
Segurança para todos.
SAÚDE PARA TODOS.

Por Juliana Brizola, deputada estadual do Rio Grande do Sul

4 Comentários

  • Pelo sobrenome não esperava nada diferente. Bravo Brizola! Brava Juliana.

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  • Concordo totalmente com a deputada Juliana Barbosa. Devemos igualmente analisar quais sao os paises que estao tendo mais sucesso no combate a essa epidemia e veremos que o Estado forte e bem governado ‘e o bem sucedido.

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  • […] “Estado mínimo!” – gritavam imberbes pastores de seus púlpitos do Youtube. E a Palavra se espalhava pelos quatros ventos levada pelos algoritmos da Internet cuidadosamente projetados para esse santo fim: convencer os incautos da periferia do capitalismo de que a castração de seus Estados nacionais era o sacrifício supremo para agradar o Deus-Mercado. […]

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