Um novo levante: a liberdade e o espírito do povo Haitiano

O Haiti novamente está em crise, mas isso pouco importa, ninguém se interessa por nossos irmãos caribenhos. O laboratório para a intervenção militar no Rio de Janeiro enfrenta grave crise humanitária, mas por ser o país mais pobre das Américas não há ajuda humanitária, distribuição de alimentos ou qualquer coisa do tipo. No máximo, pode-se rememorar a intervenção do exército brasileiro no país, no entanto, como dito acima, imagine ser o laboratório daquilo que já veio dado como fracassado?

A desgraça haitiana não é de hoje, o país desde sua libertação em 1804, sofre diversas investidas, como golpes de estado e bloqueios econômicos. O espírito do povo haitiano almeja a liberdade, mas as forças reacionárias do mundo fazem de tudo para impedi-lo de se realizar. Como bem recorda o jornalista Oswaldo Faustino, em matéria publicada no ano de 2010, na revista Raça Brasil:

“Boicotado pelos países ricos o Haiti cai no extremo empobrecimento. Em 1990, o padre progressista Jean-Bertrand Aristide, da Teologia da Libertação, é eleito presidente. Cinco meses depois, é deposto por golpe militar. Os EUA apoiam o golpe, mas lhe concedem asilo. Três anos depois, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e a Organização das Nações Unidas (ONU) impõem novas sanções econômicas ao país”.

Atualmente, diversos são os problemas do país, cita-se a inflação que atinge níveis superiores a 15% durante o período de dois anos, e em decorrência disso, o gourde, a moeda haitiana, perde seu valor comparado ao Dólar, aumentando a níveis absurdos os preços dos produtos mais básicos para se viver. A corrupção é outra reclamação que advém das ruas do Haiti, como suspeitos figuram vários ex-ministros e altos funcionários do Estado, além de haverem documentos que levam até uma empresa dirigida pelo atual presidente Jovenel Moïse.

Mesmo com as ruas pedindo a renúncia do presidente, Jovenel Moïse é categórico ao dizer que não irá renunciar: “Não deixarei o país nas mãos de gangues armadas e traficantes de drogas”, afirma em discurso transmitido pela TV estatal. Os resultados são calamitosos, muitos feridos e mortos, a população sofre com a falta de comida e água.

Aquele que foi o primeiro país independente da América, que incorporou o lema da Revolução Francesa de “Liberdade, Igualdade e Fraternidade” e o levou as máximas consequências, como afirma a escritora Susan Buck-Morss (2005, p. 44) em seu livro “Hegel e o Haiti”: “A revolução Haitiana foi o teste, a prova de fogo para os ideais do iluminismo francês”.  A revolução Haitiana ainda tem o mérito de ser a 1° revolução bem-sucedida dos subjugados, demonstrando que a libertação nunca virá dos senhores, do alto, mas sim dos escravos, dos explorados e humilhados.

E é neste espírito que o povo haitiano deve tomar as rédeas da história, invocando suas crenças nas ancestralidades, isto é, que assumam a forma espectral, levantam-se Toussaint L’Ouverture, Dessalines, Christophe, Clairveaux, Maurepas, Pétion, e que essas vozes ressurjam na figura do povo para que se faça ouvir o grito de liberdade sufocado pelas forças reacionárias do mundo. Os clamores dos haitianos, são os clamores de milhões do mundo. O Haiti é aqui também.

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