Lira passou o rodo, Cid cantou a bola e a esquerda deve lançar candidato para a Câmara

Por Caio Barros – Falta um nome da política para competir com Arthur Lira, que já conta com o apoio de nove partidos, 172 votos de saída, para a disputa da presidência da Câmara. Cria de Cunha e ex-presidente da Comissão de Constituição e Justiça, o presidente do PP, partido em ascensão, também conta com o patrocínio do presidente da República. Baleia Rossi, aventado por Maia, está no segundo mandato de deputado, lidera um bloco rachado por Lira e um partido em declínio, o MDB. Não tem chance. Ontem Glauber Braga alfinetou a turma boa que defende algum candidato de Maia. Não vemos um caractere de Glauber sobre a negociação do PT com Lira. Mas o PDT tem ombudsman como Jones Manoel! Bom, defender um candidato como Maia seria fácil, o diabo é que Maia não tem candidato competitivo e com os mesmos compromissos por ele assumidos na disputa anterior.

Nesse caso, a única saída da esquerda é lançar candidatura própria e perder no primeiro turno. O preço simbólico de se apoiar um candidato apoiado por Bolsonaro é alto, mesmo que esse candidato não seja propriamente um bolsonarista. Lira é raposa do centrão. A ideologia é a poder e a grana. Cid Gomes já nos revelou o caráter do candidato apoiado por Bolsonaro: “Eduardo Cunha original está preso, mas está solto o líder do PP que se chama Arthur Lira, que é um achacador, uma pessoa que no seu dia a dia, a sua prática é toda voltada para a chantagem, para a criação de dificuldades para encontrar propostas de solução”.

Apoiar um candidato com elevadas chances de derrota e que tem praticamente mesma agenda de Lira é inútil, burrice. O melhor é lançar um nome de esquerda sabendo que, de qualquer jeito, vai perder todo o pequeno poder de veto que exerce sob a liderança de Maia na agenda de costumes e de destruição ambiental do governo. Mas o poder de voto se mantém o mesmo, 133, em teoria. Assim, sempre que quiser brecar a transformação de fascismo em lei, coisa que com Maia nem era pautada, a esquerda deverá articular com nacos do centrão e chamar a sociedade para pressionar o parlamento. Tirando a pauta econômica, Bolsonaro não tem poder para atropelar a Câmara, nem com Lira presidente.

Lira será escravo da popularidade de Bolsonaro, e poderá escravizar o presidente. O poder do presidente da Câmara está na definição da pauta. Se a economia crescer, Lira pauta o fascismo legislativo, em troca de mais cargos e emendas, mesmo que perca as votações, porque nem a Câmara nem a sociedade são fascistas. Mas o acordo é pautar. Por outro lado, se a economia se recuperar em L, e a popularidade de Bolsonaro cair a menos de 15%, Lira vende o impeachment para quem melhor pagar, igual Cunha fez e faria Maia. Bolsonaro não precisa de Lira para pautar projetos e transformá-los em lei. Bolsonaro precisa de Lira para pautar a Câmara e dividir a sociedade e assim garantir que sua popularidade não caia a menos de 15%, ainda que esse número dependa mesmo de Guedes. Quanto à esquerda, precisa de marcar posição com candidato próprio na eleição e fazer oposição com a sociedade mesmo antes de perder a disputa. 2022 é outra conversa.

Por: Caio Barros.

Por Caio Barros - Falta um nome da política para competir com Arthur Lira, que já conta com o apoio de nove partidos, 172 votos de saída, para a disputa da presidência da Câmara. Cria de Cunha e ex-presidente da Comissão de Constituição e Justiça, o presidente do PP, partido em ascensão, também conta com o patrocínio do presidente da República. Baleia Rossi, aventado por Maia, está no segundo mandato de deputado, lidera um bloco rachado por Lira e um partido em declínio, o MDB. Não tem chance. Ontem Glauber Braga alfinetou a turma boa que defende algum candidato de Maia. Não vemos um caractere de Glauber sobre a negociação do PT com Lira. Mas o PDT tem ombudsman como Jones Manoel! Bom, defender um candidato como Maia seria fácil, o diabo é que Maia não tem candidato competitivo e com os mesmos compromissos por ele assumidos na disputa anterior.

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