Boitempo lança livro de entrevista de Lula em ato com o ex-presidente

Hoje, 16 de março de 2018, ocorreu o lançamento do livro “A Verdade Vencerá: o povo sabe por que me condenam”, pela Editora Boitempo. O lançamento foi feito em um evento no Sindicato dos Químicos de São Paulo.

São 124 páginas fruto das respostas de Lula às perguntas dos jornalistas Juca Kfouri e Maria Inês Nassif, do professor de relações internacionais Gilberto Maringoni e da editora da Boitempo, Ivana Jinkings. Três dias de conversas transcritas para o papel. Eric Nepomuceno, Luis Fernando Verissimo, Luis Felipe Miguel e Rafael Valim também assinam textos da obra.

O evento, mediado pelo jornalista Renato Rovai, contou com diversas personalidades importantes para o País, como os próprios entrevistadores, a professora Maria Rita Khel, o professor Fábio Konder Comparato, a senadora e presidente do Partido dos Trabalhadores Gleisi Hoffmann, o economista e professor Luiz Gonzaga Belluzzo, o ex-senador Eduardo Suplicy, além do ex-presidente Lula.

Lula começou falando do início de sua trajetória política, das derrotas eleitorais em 1989 e 1994 e comparou aqueles momentos de derrota com o momento atual. Disse que apesar de as pessoas esperarem encontrá-lo desmoralizado e deprimido, “a situação pela qual passa Lula não se compara à situação pela qual passa o Brasil”.

O ex-presidente disse que, na verdade, está motivado, mesmo tendo sido condenado a 12 anos de prisão. E os motivos são os seguintes:

“Os que me condenaram não têm a consciência tranquila, pois sabem que não sou culpado. Fizeram isso porque a desgraça de quem conta a primeira mentira é o dever de mentir para o resto da vida para justificar aquela primeira grande mentira que contaram. A prova disso é que Moro, só depois de me condenar, confessou que jamais disse que o apartamento [do Guarujá] era meu”.

Na mesma linha, mencionou o fatídico episódio do Power Point, no qual o Procurador da República Deltan Dallagnol acusou o ex-presidente de ser o responsável por vários crimes em que houve participação de membros do governo tão somente pelo fato de Lula, à época dos delitos, ser o Presidente do Brasil. Uma atrocidade jurídica, segundo o ex-presidente.

Lula comentou o receio de pessoas próximas sobre declarações – expostas em seu livro – que seriam críticas à ex-presidente Dilma Rousseff. De acordo com ele, seu objetivo não foi, em momento algum, criticar sua correligionária, mas tão somente contar, no livro de suas verdades, situações e ocorrências que viu e que viveu.

Assunto candente dos últimos dias, o assassinato de Marielle Franco também foi comentado por Lula. De acordo com ele, os inimigos da esquerda fizeram da morte de Marielle, pelo modo bárbaro como aconteceu, um motivador nacional. Todos, segundo Lula, tornaram-se “pelo menos um pouco defensores dos direitos humanos”.

Lula ainda disse palavras de solidariedade ao ex-ministro Delfim Netto. De acordo com o ex-presidente, a Lava Jato voltou a cometer arbitrariedades ao realizar procedimento de busca e apreensão “na casa de um senhor aposentado de quase 90 anos de idade”.

Frases de enfrentamento à Lava Jato, ao Ministério Público e ao Poder Judiciário permearam a fala do ex-presidente durante a noite do lançamento do livro da Editora Boitempo. A de maior destaque talvez tenha sido a seguinte:

“Se eles ousarem mandar me prender, estarão cometendo a maior barbárie jurídica do País, pois estarão prendendo o 1º preso político do século XXI no Brasil”.

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