É curioso, mas Gleisi Hoffman tem razão

Por Domingos Leonelli – Está aí, talvez pela primeira vez eu dê razão a presidente do PT, Gleisi Hoffman, quando ela diz que Lula foi o líder que mais abriu caminho para esquerda. Podia dizer também que esse caminho foi aberto pela esquerda para Lula, se tivesse o dom da generosidade.

Como líder individual Lula foi realmente o líder da campo da esquerda que foi mais longe. Eleito presidente por duas vezes e fazendo de sua sucessora, também eleita por duas vezes ele que nunca se disse ou assumiu um postura revolucionária, foi o presidente que mais abriu caminho para a esquerda. Seus governos realizaram avanços importantes, dentre os quais destaco o aumento do salario minimo, a mutiplicação de escolas técnicas e universidades, a decisão de fabricar no Brasil as plataformas marítimas da Petrobrás, que foram, ao meu ver, ações estruturantes. Implementou também programas como a ampliação do Bolsa Família, o Luz para Todos e o Minha Casa Minha Vida.

Os governos de Lula e Dilma, porém, não enfrentaram o capital financeiro e o rentismo. E, acima de tudo, não realizaram as reformas estruturais sem as quais não conseguiremos reduzir de forma permanente as desigualdades sociais. Não fez a Reforma Tributária, a Reforma Politica, a Reforma do Sistema Financeiro, a Reforma da Comunicação.

Sequer tentou em 13 anos de governo realizar a reforma do Estado. Também não modernizou a economia e a induústria para adaptá-la a era do conhecimento onde o Brasil entrou pela porta do consumo e não da produção.

Culpa exclusiva pessoal de Lula? Não, não e não.

Culpa do conjunto da esquerda, dos partidos que se acomodaram no governo do presidente social-democrata e não tiveram coragem, competência e espirito revolucionário, para pressionar, rebelarem-se contra as alianças marcada pelo “cretinismo parlamentar” determinantes para esse fraco reformismo. E esses partidos foram, principalmente o PT, o PSB, o PCdoB, e o PDT que durante 12 anos participaram dos governos Lula e Dilma. O PSB, sob a presidência de Eduardo Campos, um pouco tardiamente foi o único que se afastou do governo de Dilma, alegando justas discordâncias da orientação econômica.

Finalmente, neste último episódio de 2020, Lula propôs uma estratégia completamente equivocada e isolacionista de lançar candidaturas próprias em todas as capitais do Brasil, desprezando alianças históricas e até parceiros próximos do PT. Mas o PT se submeteu ao erro. E se submeteu porque alimentava a expectativa de manter, a qualquer preço, a hegemonia do PT sobre a esquerda.

Portanto Gleisi tem razão ao dizer que Lula foi o político que mais abriu caminho para a esquerda, mas peca pela ausência da autocrítica pessoal e partidária quanto à derrota do PT em 2020.

Mais uma vez o PT confunde autocrítica com “mea culpa” .

Por Domingos Leonelli, presidente do Instituto Pensar

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