O professor Pardal Mandetta sobreviverá à Maga Bolsonaro Patológica?

Mandetta é um político. Bolsonaro também. Sabem de que lado venta e que tipo de vento está por vir. E se previnem. Todos os seres vivos possuem o instinto da sobrevivência. Dentre eles, os que o têm mais aguçado são os políticos.

O Ministro que fica sabe que Bolsonaro, que também fica, voltará com carga total em sua captura assim que as condições lhe permitirem. E tanto mais rápido melhor porque, para o instintivo capitão, a vingança é um prato que se come quente. Mandetta fica “para trabalhar” e Bolsonaro espreita.

Por isso, na coletiva em seguida à reunião no Palácio, o ministro que fica vacinou-se para sobreviver ao momento que o Presidente (que também fica) sonha que venha logo, o caos social. Nele, Bolsonaro, que se imagina o Senhor do Caos, jogará o papel que mais lhe agrada (aliás, o único que lhe agrada), o de outsider.

Culpará Mandetta e a política de isolamento horizontal, vale dizer, culpará “tudo isso que está aí”, o “sistema” (Congresso, Judiciário, imprensa). E buscará jogar as massas famintas desempregadas contra o sistema para dar a ele poderes absolutos. Agora que Trump foi enquadrado pela realidade e pelo sistema institucional, político e econômico dos EUA, Bolsonaro sonha ser o húngaro Viktor Orbán.

Mandetta sabe que a trincheira onde se abrigar dos futuros ataques de Bolsonaro, mais do que o Congresso e o Judiciário, é a opinião pública. E a opinião pública adora a ciência. Por isso, Mandetta fez questão de repetir e repetir e a palavra mágica: “Ciência”. Mandetta é o professor Pardal, homem da ciência, e Bolsonaro a bruxa olavista Maga Patalógica.

A troca de estocadas com Bolsonaro foi a tônica da coletiva. A resposta tática que Mandetta deu à acusação de Bolsonaro de estrelismo e de falar pelos cotovelos foi buscar a invisibilidade. Chegou a dizer que de vez em quando dá um pitaco no que a equipe faz. A sua estratégia política é clara: ele mesmo nada faz, quem faz tudo é “a Ciência”. A ciência materializada na equipe e nos aliados, na comunidade científica, nos profissionais de saúde e na imprensa convertida em divulgadora das verdades da ciência. Apesar do tom de improviso, foi claramente premeditado dar voz “à ciência” na coletiva: à equipe, ao representante dos secretários municipais de saúde, ao Congresso Nacional (deputados Carmen Zanoto e Hiran Gonçalves, da Comissão Externa) e agradecer às organizações médicas, os hospitais, a imprensa. É a trincheira: “ninguém solta a mão de ninguém”!

Até Platão foi chamado ao play. A turma do Planalto são os ignorantes acorrentados na fundo da caverna que confundem as sombras que veem projetadas nas paredes com a realidade externa. Ele, Mandetta, escapa aos grilhões, alcança a saída da caverna, vê a Luz, e, tendo compaixão pelos companheiros, volta para contar-lhes o que viu (a Luz da ciência). Os olavistas alienados, agrilhoados na ignorância, não creem no que ele diz e tentam matá-lo. Mas ele fica.

Só que eles também ficam. São duas, por isso, as pandemias que se entrelaçam num jogo de vida e morte. A pandemia de obscurantismo intelectual, alienação da realidade e incapacidade política absoluta no meio de uma pandemia viral e real sem precedentes.

E segue o jogo, com o Presidente sob tutela provisória, rangendo os dentes e clamando pela vingança que Carluxo lhe sibila nos ouvidos tensos.

Por Jorge Bahia, professor e escritor

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