Marielle Franco: Ato em São Paulo leva milhares às ruas

Na noite desta quarta-feira (14), a vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e seu motorista Anderson Pedro Gomes, foram brutalmente assassinados a tiros, no centro do Rio de Janeiro.

Segundo apuração da Polícia Civil do Rio, as vítimas foram perseguidas por cerca de 4 km, desde que saíram do evento “Jovens Negras Movendo as Estruturas”, do qual participava a vereadora.

Jovem, negra, que movia as estruturas, Marielle foi eleita, tendo sido a quinta vereadora mais votada nas eleições de 2016 do RJ, com 46.504 votos. Nascida no Complexo de Favelas da Maré, se apresentava como “cria da Maré”. Formada em Sociologia pela PUC-Rio e mestra em Administração Pública pela UFF, teve como tema da dissertação “UPP: a redução da favela a três letras”. Como vereadora, coordenou a Comissão dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj, ao lado de Marcelo Freixo.

Em 28 de fevereiro, 14 dias antes de sua morte, foi nomeada relatora da Comissão destinada a acompanhar a intervenção no RJ. Em 10 de março, 3 dias antes de sua morte, denunciou em suas redes sociais atuação violenta do 41º Batalhão da Polícia Militar de Acari, que estaria “aterrorizando e violentando moradores de Acari”. Em 13 de março, 1 dia antes de sua morte, em seu perfil no twitter, questionou “Quantos mais vão precisar morrer para que essa guerra acabe?”, diante do homicídio de Matheus Melo, jovem que entrou para a triste estatística de mortos pela atuação policial.

Vale apontar que, segundo Dossiê apresentado em 2017 pelo Comitê Brasileiro de Defensores e Defensoras de Direitos Humanos, o Brasil tem um defensor de direitos humanos assassinado a cada 5 dias. Ainda, em relatório divulgado pela Anistia Internacional no mesmo ano, temos como dado que o Brasil é o país das Américas onde mais se mata defensores dos direitos humanos.

O assassinato de Marielle e Anderson comoveu e revoltou o país. Na data de hoje (15), atos se espalham por diversos estados. Em São Paulo, às 17 hrs, no MASP, concentraram-se os manifestantes sob as palavras de ordem: “Contra o Genocídio Negro, Marielle Presente”. Os mais de 30 mil presentes caminharam até a República.

O ato teve início denunciando a truculência da polícia e o genocídio nas favelas. A vereadora Sâmia Bomfim (PSOL-SP), emocionada, enfatizou a violência do Estado contra a população periférica. Lembrando que Marielle ousou percorrer um caminho que não foi construído para mulheres como ela, ousou defender a vida de outros negros e negras que estão sendo assassinados, Sâmia afirmou que as milícias e o crime organizado estão no poder e dentro do Estado e, assim, Marielle foi assassinada pelo Estado.

Os professores municipais de São Paulo, que estão em greve desde o dia 8 de março, juntaram suas forças no ato.

Durante a manifestação, ouviram-se milhares de vozes que ecoavam gritos como “Não acabou, tem que acabar, eu quero o fim da Polícia Militar”, “Fascistas, fascistas, não passarão”, “Marielle, presente”, e “Anderson, presente”.

 

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