GILBERTO MARINGONI: Finalmente alguém do PT admite a conduta desastrosa de 2015-16

Nelson Barbosa, ex-ministro da Fazenda de Dilma Rousseff, escreve admirável coluna denunciando o abjeto editorial “Jair Rousseff”, da Folha de S. Paulo. Sob qualquer ponto de vista, a comparação é uma canalhice completa. Não se podem traçar paralelos entre a presidenta que lutou contra o arbítrio e um defensor da ditadura, do golpe e da tortura.

Isto posto, Barbosa fala sobre a diretriz econômica da qual foi um dos formuladores e que implodiu a economia brasileira, provocando a maior depressão da história da República:

“No início de seu segundo mandato, fizemos forte ajuste fiscal, e isso foi um erro (sim, isso foi autocrítica). A economia não estava bem, e a combinação de colapso dos preços internacionais de commodities com os efeitos internos da Operação Lava Jato derrubou o nível de atividade econômica muito além do que era esperado, por governo e mercado, no início de 2015.

Naquele contexto, ao fazer forte contração fiscal e rápido realinhamento de preços de energia, o governo federal empurrou a economia mais para baixo. Era preciso fazer exatamente o contrário, Orçamento com déficit para estabilizar a economia, como Dilma acabou propondo na segunda metade de 2015, mas o Congresso só aprovou em meados de 2016, com Temer”.

Barbosa fala o que repito desde 2015: não se faz ajuste fiscal em tempos de contração externa! Minha discordância com ele está no fato de não ter sido erro, mas opção ou capitulação. Ninguém faz ajuste fiscal para beneficiar os trabalhadores, mas para aumentar o desemprego e baixar o preço da força de trabalho. O governo não buscava o desenvolvimento, mas seu oposto. Nisso foi plenamente exitoso.

Tudo bem, não se pode querer tudo. Um dia o PT chega lá. Importa ressaltar que Barbosa dá uma enorme e rara demonstração de honestidade política e intelectual ao dizer “sim, foi uma autocrítica”, comportamento repelido furiosamente por seus correligionários. E ele vai além:

“Felizmente, Temer ignorou o pedido e flexibilizou a política fiscal em 2016”.

Sim, a política econômica de Dilma foi tão danosa ao país que mesmo um golpista sem-vergonha como seu sucessor fez coisa melhor na área (mas não no conjunto da obra, evidentemente).

Vivemos até hoje nos escombros daquela desastrosa opção de cinco anos atrás.

Segue a ótima coluna de Nelson Barbosa.

2 Comentários

  • “Minha discordância com ele está no fato de não ter sido erro, mas opção ou capitulação.”

    Foi um erro, mas um erro político, não um erro econômico. O raciocínio era que fazer o ajuste fiscal apaziguaria a burguesia e a oposição. Mas esse tipo de concessão, feito naquele tipo de conjuntura, resultou no oposto: o encorajamento à direita, que encarou o ajuste como um sintoma de fragilidade do governo.

    E agora, esperemos que alguém do PSOL admita a conduta desastrosa de frente única com a Lava-jato na esperança de que a queda de Dilma precipitasse uma revolução socialista.

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  • Só esqueceram de dizer no texto que o Ministro da Economia em 2015 era um neoliberal, Joaquim Levi.

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