JONES MANOEL: Marxismo-leninismo não é sinônimo de stalinismo

A ideia de que o marxismo-leninismo (ML) é apenas “stalinismo” ou se refere apenas ou fundamentalmente ao marxismo soviético tem dois fundamentos: ignorância histórica ou desonestidade. Primeiro, o termo não foi criação soviética, mas latino-americana. Aliado a isso, o próprio Stálin falou de marxismo-leninismo pouquíssimas vezes na vida. Alguns falam de 3 e outros de 5 ou 6 vezes. Fora da URSS, ainda nos anos 30, vários comunistas, como os chineses, falavam de marxismo-leninismo com um sentido diferente que o soviético.

Com o mesmo nome, o que os chineses, vietnamitas, soviéticos e coreanos, para ficar apenas nesse exemplo, chamavam de marxismo-leninismo nunca foi a mesma coisa. Ainda cabe completar que autores tão diferentes entre si, em diversos momentos da vida, como Florestan Fernandes, Vânia Bambirra, Nicos Poulantzas, Louis Althusser, Agustin Cueva, Che Guevara, Fidel Castro, Thomas Sankara, Amilcar Cabral, Agostinho Neto, Samora Machel, Huey Newton, Fred Hampton e tantos outros, se afirmaram como marxistas-leninistas.

Caso se sustente a versão, bem popular em alguns meios acadêmicos, que marxismo-leninismo é apenas “stalinismo”, teremos a difícil tarefa de afirmar que todos esses revolucionários – e milhares de outros – eram todos “stalinistas”. E, é claro, esse procedimento não é sério.

E sim, eu conheço o debate de György Lukács sobre os problemas do marxismo-leninismo soviético e no Leste Europeu. Tenho concordância no fundamental com as críticas de Lukács, mas recomendo cuidado na hora de generalizar a abordagem do mestre húngaro para todo tempo e espaço, fora do contexto específico da crítica lukaciana.

Por: Jones Manoel.

A ideia de que o marxismo-leninismo (ML) é apenas "stalinismo" ou se refere apenas ou fundamentalmente ao marxismo soviético tem dois fundamentos: ignorância histórica ou desonestidade . Primeiro, o termo não foi criação soviética, mas latino-americana. Aliado a isso, o próprio Stálin falou de marxismo-leninismo pouquíssimas vezes na vida. Alguns falam de 3 e outros de 5 ou 6 vezes. Fora da URSS, ainda nos anos 30, vários comunistas, como os chineses, falavam de marxismo-leninismo com um sentido diferente que o soviético.

3 Comentários

  • Ao invés de ficar nesse rame rame, Jones deveria estudar mais a obra de Stálin, que é um grande aplicador do leninismo.

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  • Cabe lembrar que nem todos os marxistas-leninistas soviéticos eram stalinistas: exemplo mais inequívoco é o do filósofo soviético Evald Ilyenkov (1924- 1979), que trocou correspondência com Lukács e tem uma obra respeitada mundialmente.

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