Melancolia ou enfrentamento, é hora de você escolher

Nesta segunda, 02 de setembro de 2019, no Teatro da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (TUCA), várias organizações e movimentos sociais, lideranças, representantes de 16 partidos, políticos eleitos e a sociedade se reuniram para o lançar o movimento “Direitos Já” do Fórum pela Democracia, inclusive com a presença ilustre de Noam Chomsky. O ato busca restabelecer o enfrentamento aos ataques que o Estado Democrático de Direito vem sofrendo na gestão do Presidente Jair Bolsonaro. Uma iniciativa coletiva para romper com o marasmo político.

Em outro artigo reconheci que a maior vitória de Kirchner nas prévias argentinas foi justamente arrancar a oposição política à Maurício Macri do discurso de resistência e construir ativa plataforma político-programática para responder aos anseios do povo argentino e denunciar as mazelas do Governo Macri, de forma ampla e compromissada exclusivamente com o futuro da Argentina. E, após o ato “Direitos Já”, em entrevista, Chomsky afirma que centrar a ação da oposição política à Bolsonaro no Partido dos Trabalhadores gerou apatia. O que não significa abandonar, inclusive, a discussão da prisão de Lula, mas sim de abrir mão do corporativismo e repensar o cerne de se opor ao que está posto, que é o de reconstruir a esperança para outro momento possível e que o PT, por seus erros e pelas perseguições que não soube responder, não consegue mais formular/representar.

Ao mesmo tempo, a atual Presidente e candidata à reeleição, Gleisi Hoffman, afirmou que a Eleição Presidencial de 2022 será sobre Bolsonaro e o PT, demonstrando que o Partido irá permanecer na sua estratégia. No entanto, o que Gleisi, Haddad e os demais petistas não falam é que para o sucesso dessa estratégia, de ascensão do lulopetismo sem Lula – este está com os direitos políticos cassados – depende exclusivamente da completa catástrofe de Bolsonaro e de uma perene postura de melancolia – apatia para Chomsky – durante os quatros anos de mandato presidencial, para que, só após o caos e o estado de depressão, o povo volte a clamar pelo PT lembrando dos governos de Lula, mas esquecendo os de Dilma/Temer. Completo delírio, não há como qualificar esse pensamento sem ser duro no adjetivo. Sem qualquer lastro com a realidade – indico leitura do artigo da Profª Drª Esther Solano “Dona Maria: ela votou em Bolsonaro, idolatra Lula e sonha com Huck” publicado na Revista Carta Capital – parte considerável da oposição ao Governo Bolsonaro, como fez em 2018, vai apostar no caos e na melancolia, a ponto de negar a participação no evento “Direitos Já” e tudo aquilo que não tiver controle petista sobre a pauta.

E as demais forças, devem sentar e assistir ou aprofundar o diálogo político e apresentar instrumentos, narrativas e ações que furem esse cenário perverso?  Ao que consta, parece que algo está nascendo. Ainda é muito cedo para equalizar as contradições, realinhar pensamentos e equacionar algumas questões ainda em aberto – como o Golpe de 2016, mas é notório o esforço desprendido por essas pessoas e organizações. Todos os discursos proferidos naquela noite foram de enfrentamento, de tentativa de reavivar o espírito de luta e a consciência dos compromissos firmados, principalmente no pacto constitucional de 1988.

O momento requer força, coragem e muita militância – honesta e programática -, a melancolia, a apatia ou a ideia de apenas resistir é prato cheio para as forças políticas que sustentam o Governo Bolsonaro, elas adoram nos ver afugentados, jogados nas cordas e não em postura de enfrentamento. Por isso a provocação: e você, sabe o que vai escolher, melancolia ou enfrentamento?

 

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