THOMAS DE TOLEDO: Movimento desastroso dos EUA contra o Irã

Os Estados Unidos fizeram um movimento desastroso ao assassinarem um general iraniano. Sofrendo um processo de impeachment, Trump procura recompor-se internamente com os falcões da extrema-direita e com o complexo militar-industrial que ainda não viu uma guerra conduzida pelo atual ocupante da presidência.

Mas, em termos geopolíticos, isso pode ser o prelúdio de uma guerra mundial, que já está acontecendo, às vezes fria, às vezes quente. O ataque é uma provocação à Rússia e à China.

THOMAS DE TOLEDO: Movimento desastroso dos EUA contra o Irã
Foto: AFP

Uma guerra contra o Irã bateria de frente com três forças que derrotaram o Estado Islâmico, os Estados Unidos e seus aliados na Síria: Irã, Iraque e Líbano (Hezbollah). A guerra é desejada por Arábia Saudita, em seu combate contra o Iêmen. Também por Israel, que quer enfraquecer o mais poderoso rival regional. Desde a tentativa de golpe que Erdogan sofreu, a Turquia, mesmo sendo da OTAN, tem se aproximado de Rússia e China. A Rússia vem recompondo seu poderio militar desde os anos soviéticos e suas vitórias na Síria e na Crimeia, fortaleceram a posição na região. A China necessita do Irã para a integração da Ásia com Europa e África pela Nova Rota da Seda. O Irã tem forças armadas bem equipadas e há menos de um mês, descobriu uma gigantesca reserva de petróleo.

Caso estoure, não será uma guerra fácil, ainda mais com Rússia e China do lado iraniano. O conflito tem potencial nuclear. Essa crise levará o preço do petróleo a novos patamares. Nesse caso, o Brasil de Bolsonaro pode trazer enormes prejuízos ao país por dois motivos. Primeiro que um alinhamento com os Estados Unidos poderia gerar retaliações por parte da China, o principal parceiro comercial do Brasil. Segundo, que com o desmonte da Petrobras realizado por Paulo Guedes, a alta do petróleo bateria no bolso do brasileiro. Combustível caro faz a inflação subir e, consequentemente, a pobreza aumenta. Vejamos como as peças se movem por lá e aqui.

Por Thomas de Toledo

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