Não ao Minhocão

Diariamente a cidade de São Paulo enfrenta problemas com o trânsito caótico, situação que piorou com as interdições de pontes e viadutos que estão em obras emergenciais por falta de manutenção. Dados recentes mostram que em 2018 foram destinados apenas 5,37% do orçamento previsto para a manutenção de pontes e viadutos da cidade. Existem mais de 100 parques no município e a grande maioria em condições de abandono. É inviável neste cenário sistemático de descaso das estruturas públicas e dos parques já existentes o anúncio feito pela Prefeitura para a construção do Parque do Minhocão.

Laudos da CET mostram que após a desativação total do Minhocão haverá um aumento da relação volume/capacidade no viário do entorno, ou seja, uma piora nos congestionamentos locais. Os volumes de veículos das vias serão aumentados de 5,4% a 169%. Concluiu-se que, se todo o volume da parte superior do Elevado se transferisse para a parte inferior, somado ao volume existente na Avenida General Olímpio da Silveira, ela não suportaria o carregamento resultante.

Desta forma temos um projeto em uma estrutura com atual situação de degradação e com questões recorrentes que acarretam problemas de saúde. Relatório da Secretaria Municipal de Saúde mostra que em toda a extensão inferior do Elevado há grande quantidade de lixo e móveis, propiciando abrigo a animais como morcegos, escorpiões, etc, além da presença cada vez maior de moradores em situação de rua.

Outra grande preocupação em relação ao Parque do Minhocão se refere à segurança da população com a construção de um Parque em uma estrutura de 3,4 km de extensão com cerca de 50 anos, que não teve investimento em melhorias e que precisa de estudos mais aprofundados de especialistas das áreas da engenharia, arquitetura e urbanismo que garantam sua segurança. Neste momento falta transparência de como este projeto seria executado, o que gera insegurança para todos.

Todos nós queremos uma cidade arborizada, com áreas de lazer gratuitas para a população. Entretanto, políticas públicas de desenvolvimento urbano devem ser construídas com diálogo com a sociedade civil, em um debate qualificado sem viés político, mas sim compreendendo as necessidades de todos os atores envolvidos e, principalmente, com muito cuidado e responsabilidade, constatando a viabilidade técnica das medidas visando uma cidade segura e sustentável.

Por Caio Miranda: advogado formado pela USP e vereador da cidade de SP.

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