Porque não fui na manifestação pela democracia no último domingo

Quero começar o texto enfatizando que apesar de tudo, o que nos torna diferente dos lunáticos apelidados de gado e alcunhados corretamente de fascistas, é fato de que somos humanistas acima de tudo e não agimos como eles. Hoje nosso maior inimigo chama-se CORONAVÍRUS! SAÚDE E VIDA DO POVO EM PRIMEIRO LUGAR!

O Brasil viu mais um momento de ebulição social ontem, quando centenas de pessoas tomaram a Avenida Paulista em um ato contra Bolsonaro e a favor da democracia, organizados por coletivos antifascistas integrantes das torcidas organizadas dos grandes clubes paulistas e movimentos sociais.

Sou defensor da autonomia plena da sociedade civil para pautar os temas de seu interesse. Reconheço que a ação criminosa do governo Bolsonaro de minimizar o vírus e a falta de um plano econômico capaz de garantir o emprego e a renda dos trabalhadores e as condições de funcionamento de micro, pequenas e médias empresas angustiam muita gente. Brasileiros desesperados que, mesmo tentando manter o distanciamento social, estão indignados contra um parasita que mais assola a população, agravando nosso cenário, o bolsonarismo!

A propósito, infelizmente foi lamentável ver as cenas da Polícia Militar de João Dória escoltando os manifestantes da extrema direita e se portando como serviçais dos fascistas (qualquer relação com a episódio do empresário alucinado xingando um PM em Alphaville não é mera coincidência), enquanto repetiram mais uma vez seu ritual eterno, disparando bombas em série contra os que estavam defendendo a democracia.

No entanto, apesar da legitimidade de todos que anseiam derrotar Bolsonaro, os quais possuo grande apreço pela coragem e determinação, infelizmente temos um inimigo grave que precisa ser combatido com prioridade: o coronavírus. Precisamos continuar pressionando por todas as vias possíveis para atacar o governo mais canalha da história do Brasil, mas mantendo o respeito à ciência, as recomendações médicas e às normas de isolamento social.

Defender aglomerações após ficarmos 80 dias dizendo que deveríamos sair de casa apenas para questões essenciais vai apenas fortalecer a paranoia alucinada de Bolsonaro e nos colocar em contradição.

Muitos dirão que ir às ruas agora é essencial para derrotar o presidente. Mas sabemos também que esse processo será longo (ele comprou a maioria do centrão recentemente) e não temos a possibilidade de em um ou dois atos conseguir derrotar esse genocida que nos governa de forma irresponsável.

Tudo que Bolsonaro quer é um precedente para fechar o regime, utilizando o argumento de conter a convulsão social pelo Art. 172 da Constituição e aplicar um Estado de Sítio e a GLO.

Promover atos em meio à pandemia dá a Bolsonaro um combate na arena em que ele se sente à vontade: fortalece o argumento de que a defesa da quarentena é meramente política, pois abrimos mão dela quando nos é conveniente, ou seja, no momento em que queríamos expor a legítima revolta contra o governo e suas políticas desastrosas.

No entanto, isso valida a tese de governadores e do presidente sobre uma flexibilização da quarentena, afinal de contas, quem pode protestar também pode trabalhar, normalizando a situação de quem forçadamente vai às ruas e encara o vírus buscando sobreviver.

Não podemos agir como os bolsonaristas e muito menos cair na armadilha que a guerra híbrida, capitaneada pelo gabinete do ódio, constantemente nos impõe: a incoerência do campo progressista.

No momento certo, quando a curva epidêmica diminuir, quando não batermos mais recordes diários de óbitos em decorrência da Covid-19, quando a taxa de infecção da doença cair para patamares medicinalmente aceitáveis, quando não estivermos com a iminência do colapso do sistema de saúde público e privado, por falta de UTis e respiradores e, principalmente, quando o Brasil deixar de ser o epicentro dessa trágica pandemia, aí sim, voltaremos todos unidos às ruas, com grandes atos de massas para derrubar Bolsonaro e seu governo corrupto.

Agora é hora de prudência, sabedoria e vitória sobre a pandemia! Atuando com firmeza nos espaços virtuais e institucionais, como o PDT vem fazendo e impondo derrotas aos planos autoritários de Bolsonaro tanto no poder legislativo quanto no poder judiciário.

Somos uma oposição propositiva, prudente, atuante e responsável. Não queremos ver o circo pegar fogo ou deixar o país à mercê da condição do quanto pior melhor.

Se esse fosse o nosso raciocínio, seríamos oportunistas.

Queremos salvar o maior número de vidas possível, principalmente dos mais pobres, que já são os mais atingidos pela pandemia e os que mais morrem pela falta de leitos públicos.

Devemos ser o EXEMPLO e nos diferenciar para garantir no futuro a razão histórica: a de que resguardamos a ciência a todo custo e não cometemos as mesmas imprudências dos fanáticos bolsonaristas e seus líderes marginais.

2 Comentários

  • Bons pontos, foi como pensei no domingo quando soube da manifestação antifa

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  • Ciro explicou muito bem isso hoje! E ele tem razão na realidade as manifestações em apoio ao monstro que nos governa estão desidratando, cada vez tem menos gente. E também estava claro, que não fomos a rua pelo simples fato de que virus precisa ser derrotado, no entanto, é cada ação desses boçais que muita gente já perdeu a paciência e esta se arriscando, afinal, em uma guerra a gente entra com possibilidade de morrermos. O único problema fica sendo a narrativa que eles vão criar para amedrontar a classe média. Afinal, eles fazem atos e até tiram foto com a PM presente …tudo é paz e amor, mas é a esquerda ir pra rua que a “baderna” começa
    É difícil ter sangue de barata, no entanto, é preciso se antecipar e saber qual é na realidade a intenção dele, que no caso parece ser o caos e ai vale a pena dar a ele o que ele quer?

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