CHRISTIAN LYNCH: O ‘novo estilo’ do governo Bolsonaro

Os militares parecem encarar Bolsonaro como se fosse o Lula na época do mensalão, que ao fim conseguiu vencer o cerco. Querem ver se o presidente sobrevive calando a boca dele durante a pandemia, enquanto acertam os ponteiros. Dando certo, soltam de novo em 2022 a matilha de radicais.

Seja como for, não custa lembrar que o projeto de transformar o governo Bolsonaro em um governo Figueiredo, encabeçado por um “Lula de direita”, não é dos radicais, nem do exército brasileiro. É um projeto de poder dos generais ambiciosos que se meteram com política e que chegaram lá. É esse que está agora em curso com o fracasso da ala radical.

O plano A dos militares é esse: tentar explorar o “carisma” potencial do Bolsonaro para o seu governo Figueiredo recauchutado. O Judiciário e o Legislativo acertaram com os generais deixar o barco correr para ver o que acontece nos próximos meses. Estão deixando os militares jogarem, para ver se fazem gol na prorrogação.

Mas todo mundo sabe que pode dar errado, por razões sobejamente conhecidas. Nesse caso, haverá disponível um general para suceder ao capitão. E o plano B de ressuscitar o regime militar “democraticamente” seguirá para ser julgado em 2022. Quem sabe se até lá, citando Neném Prancha, o general Mourão não consegue virar um Medici “democrático”?

Enquanto isso, marchamos céleres para os 60 mil mortos. Esses não votarão na próxima eleição.

Por Christian Edward Cyril Lynch

CHRISTIAN LYNCH O 'novo estilo' do governo Bolsonaro

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  • […] “Os militares parecem encarar Bolsonaro como se fosse o Lula na época do mensalão, que ao fim conseguiu vencer o cerco. Querem ver se o presidente sobrevive calando a boca dele durante a pandemia, enquanto acertam os ponteiros. Dando certo, soltam de novo em 2022 a matilha de radicais. Seja como for, não custa lembrar que o projeto de transformar o governo Bolsonaro em um governo Figueiredo, encabeçado por um “Lula de direita”, não é dos radicais, nem do exército brasileiro. É um projeto de poder dos generais ambiciosos que se meteram com política e que chegaram lá. É esse que está agora em curso com o fracasso da ala radical. O plano A dos militares é esse: tentar explorar o “carisma” potencial do Bolsonaro para o seu governo Figueiredo recauchutado. O Judiciário e o Legislativo acertaram com os generais deixar o barco correr para ver o que acontece nos próximos meses. Estão deixando os militares jogarem, para ver se fazem gol na prorrogação. Mas todo mundo sabe que pode dar errado, por razões sobejamente conhecidas. Nesse caso, haverá disponível um general para suceder ao capitão. E o plano B de ressuscitar o regime militar “democraticamente” seguirá para ser julgado em 2022. Quem sabe se até lá, citando Neném Prancha, o general Mourão não consegue virar um Medici “democrático”?” [Disparada] […]

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