O fim do PT

Por Renato Zaccaro – A história ensina que os personagens antigos devem padecer para que outros possam nascer de suas cinzas. O Partido dos Trabalhadores teve seu pior desempenho desde 1985, data de sua primeira disputa eleitoral. A estrela vermelha contaminou quase todas as coligações por onde emprestou seu nome. Estar associado ao PT é, na percepção da maioria dos brasileiros, estar ao lado da ladroagem e da corrupção. Não é um juízo completamente justo, evidentemente, mas é o juízo que existe. Lula foi escanteado em todas as praças. Os que gozavam de seu apoio o escondiam como um detalhe incômodo. Quem bancou sua imagem amargurou derrota, invariavelmente.

O petismo ancora-se no próprio fracasso. Para além da conjuntura desfavorável, a burocracia do partido parece ter desaprendido a fazer política. A situação de Recife é clara: ao apoiar uma candidata de oposição ao governo pessebista, eliminou completamente a hipótese de ter o PSB ao seu lado em qualquer pleito relevante no futuro. Um parceiro histórico, numa praça onde a freguesia sempre fora simpática ao partido de Miguel Arraes.

Em São Paulo não é diferente. Boulos cortou o cordão umbilical. Lula não serve para mais nada ao líder do MTST. Ao que tudo indica, Boulos consolidará sua figura de “Freixo Paulista” e roubará para si as camadas médias paulistanas, fundadoras do PT.

No Ceará não foi diferente. Em Fortaleza, Luiziane preferiu apoiar o candidato bolsonarista à render-se ao cirismo dominante. O PT não terá espaço algum e amargará eternamente os dividendos de aliar-se ao miliciano responsável pelo tiro em Cid Gomes.

O antigo maior partido de esquerda das Américas hoje gerencia 2,9% dos brasileiros via prefeituras. Para efeitos comparativos, PDT gere 5% e PSB 4%. E estão todos muito atrás da centro-direita demotucana. E com poucas chances de reversão nos próximos anos.

O partido provavelmente optará pelo personalismo para manter-se minimamente vivo. Se Lula já era a única herança digna petista, a situação parece agravar-se com o desastre eleitoral de ontem.

No PT não sobraram lideranças – com pouquíssimas exceções – e a tendência é ver uma migração dos poucos quadros políticos para outras agremiações. Ser petista, em quase todos os municípios e estados do Brasil, não é um bom negócio. E não há santo Lula que dê jeito nestas paróquias do grande sertão Brasil.

As linhas – antes – auxiliares também parecem buscar outros rumos. O PCdoB deve viver uma de suas últimas eleições enquanto partido. Ao que tudo indica, a sigla histórica será absorvida pelo PSB, em franca ascensão.

O desafio para os próximos anos está posto. Ou o PT se renova completamente, do zero, ou acabará nanico. Fará companhia aos partidos que outrora comandaram o país e hoje não passam de notas de rodapé na história. Uma saída racional seria render-se a uma frente realmente ampla, como coadjuvante, em busca de articulações locais que propiciem ganhos eleitorais a médio-longo prazo. Fazendo um mea-culpa com o povo brasileiro e a classe política. Seria justo mas de certa forma humilhante. A outra opção é entregar os pontos.

Quem aguarda o desfecho digno por parte da atual burocracia do PT, deve esperar sentado, para não cansar. Afinal, é definitivo: o fracasso lhes subiu a cabeça.

Por: Renato Zaccaro.

A história ensina que os personagens antigos devem padecer para que outros possam nascer de suas cinzas. O Partido dos Trabalhadores teve seu pior desempenho desde 1985, data de sua primeira disputa eleitoral. A estrela vermelha contaminou quase todas as coligações por onde emprestou seu nome. Estar associado ao PT é, na percepção da maioria dos brasileiros, estar ao lado da ladroagem e da corrupção. Não é um juízo completamente justo, evidentemente, mas é o juízo que existe. Lula foi escanteado em todas as praças. Os que gozavam de seu apoio o escondiam como um detalhe incomodo. Quem bancou sua imagem amargurou derrota, invariavelmente.

1 Comentário

  • Outra saída para o PT: lançar candidatura própria em 2022 e não sacanear antigos aliados. Defender seu legado frente ao eleitorado e aceitar o resultado que virá. Se perder no 1º turno, apoiar a opção progressista que avançar ao 2º.
    Essa seria uma forma racional (porque eles precisam eleger bancada) e digna (porque assumiriam a responsabilidade por seus próprios atos, sem tentar manipular as demais legendas progressistas) de o PT fazer uma correção de rota.

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