O que pretende Bolsonaro?

Jair Bolsonaro é diferente de todos que já ocuparam a Presidência da República.

Não tem comparação nem mesmo com os mais medíocres dos que já detiveram a caneta presidencial.

Sua lógica de acirramento permanente e escalada contínua dos conflitos não tem paralelo em nossa história política, daí a dificuldade de muitos analistas em decifrar seus movimentos.

Mesmo diante da disparada de casos e mortes por conta da pandemia da covid-19 Bolsonaro não busca, em nenhum momento, exercer uma liderança racional no enfrentamento da doença, como fazem praticamente todos os líderes mundiais, mesmo que alguns o tenham feito tardiamente.

Várias pesquisas de opinião pelo mundo afora mostram que o papel de comando nessa crise fez crescer muito o apoio popular para alguns líderes até então com baixa popularidade, casos de Emmanuel Macron e Giuseppe Conti, para ficarmos em apenas dois exemplos.

Para quem só pensa em eleição, como Bolsonaro, parece ser uma oportunidade insistentemente desperdiçada.

O que justificaria, então, essa atitude de Bolsonaro?

Parece óbvio que um dos seus objetivos é fazer morrer muitos brasileiros. Pobres de preferência. Idosos. Favelados. Moradores da periferia. Se, lá na frente, isso lhe for cobrado, joga a culpa pra outro. Governadores, Congresso, prefeitos, STF. Tanto faz.

Ao participar do ato contra o Congresso e o STF realizado em frente ao Comando Geral do Exército, no Dia do Exército, Bolsonaro usou do simbolismo aí contido para esticar ainda mais a corda.

Tenta fazer das Forças Armadas (instituição de Estado, portanto permanente) uma milícia sua, de uso familiar, para ameaçar adversários, sejam esses políticos, ministros do Supremo ou instituições. Sai o capitão Adriano da Nóbrega, entra o general Augusto Heleno.

A incitação da quebra da hierarquia nas polícias estaduais feitas por Bolsonaro embutem um recado claro para os generais, que não apresentaram até aqui nenhuma medida visível de contenção a isso, embora devesse servir de alerta para as Forças Armadas pois, além de atualmente o efetivo das polícias estaduais somados serem maiores que os do próprio Exército, a comunicação direta que Bolsonaro estabeleceu com militares de baixa patente é uma ameaça para a linha de comando.

O processo de desmonte do Brasil como país pode se agravar, paradoxalmente, pela balbúrdia incentivada pelo próprio presidente nas Forças Armadas. Sem nenhuma reação até aqui de seus comandantes.

Por outro lado, na mesma proporção que o radicalismo bolsonarista cresce, apoios que foram importantes em sua eleição vão abandonando o barco. E ele não está nem aí.

De Joice Hasselman e Alexandre Frota a Janaína Pascoal, Bebbiano e Santos Cruz, passando por Lobão, Danilo Gentili, O Antagonista, MBL, Vem Dra Rua, Dória, Caiado e Witzel, só para citar alguns, que deixaram de apoiar o capitão desde sua eleição.

E esses não foram substituídos por outros apoios relevantes. Os panelaços constantes em bairros nobres e de classe média mostram isso.

E esse é um ponto que precisa ser melhor analisado para tentarmos entender o que Bolsonaro pretende.

Ao mesmo tempo que faz todos os movimentos de quem quer dar um golpe, Bolsonaro não demonstra fazer esforços em angariar apoios efetivos para isso.

Se cerca de uma parcela da sociedade que extravasa tudo de ruim que o ser humano pode ter (ódio, ressentimento, desprezo pelo outro, enaltecimento da ignorância, preconceitos os mais desprezíveis) e agora tenta um jogo extremamente fisiológico com setores do centrão, que vão arrancar o que puderem no governo, mas dificilmente cairão na tentação de confiar plenamente em suas promessas.

E é essa aparente contradição – de tentar uma escalada golpista sem angariar bases concretas para isso – que precisa ser melhor entendida.

Estaria querendo um golpe fracassado?

O que me parece é que Bolsonaro busca chegar num ponto tal de radicalismo que uma futura tentativa de repactuação minimamente consensual em torno de um projeto de nação seja extremamente difícil.

Quando disse numa de suas viagens aos EUA que “teria muito mais coisas para desconstruir do que para construir” Bolsonaro não se referiu apenas ao nosso presente ou passado recente. Ele está destruindo, também, o nosso futuro como país.

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3 Comentários

  • É um governo com caracteristicas bonapartista que governa(ele não governa,tira direitos e vende a soberania) por cima dos outros poderes e instituições .
    Governo para o burgueses e não para o povo que é maioria.

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  • não sou bosonarista,mas acho que o mesmo não tem intenções de golpe de Estado uma vez que o mesmo já esta no poder como presidente do Brasil, e também as forças armadas não precisa de Jair Bolsonaro se quiser tomar o poder no país, assunto que nos parece distante pois as forças armadas é composta pelo exercito,marinha e aeronautica, e nunca quiseram eternizar no poder como fizeram e fazem certos guerrilheiros aventureiros como Lenin,Stalin,Fidel e Raul Castro,Mao Tsé Tung,Ho chi Minh,Familia Kim Coreana,e outros mais,todos como objetivos unicos eternizar no poder, geralmente comunistas.Todas as ditaduras latinas não comunistas praticamente estão extintas, menos as comunistas.Esse foi o temor em 1964, que levou alguns militares em agir.É esse medo que alimenta ainda muitos brasileiros, que sentiram na pele a desgraça que se abateu em nosso pais com os governos petistas Lula/Dilma,que alimentavam governos despóticos ou tiranicos como os Castros cubanos que mantem o poder com mão de ferro,governos excessivos querendo se perpetuar no poder como boliviano Evo Morales,e seu amigo venezuelano Maduro, e outros mais.Somente se torna legitimo um governo quando é eleito pela maioria de um povo, pois Bolsonaro pelo menos se preocupa com o seu governo e não procura alimentar governos estrangeiros como fez Lula/Dilma,Bolsonaro procura não lapidar os cofres publicos como fizeram muitos governos anteriores diante de uma corrupção desenfreada ou sem limites, num congresso dos mensalões de toma lá da cá.

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  • É uma genuína kakistocracia, um governo dos piores, menos capacitados e mais inescruplosos cidadãos.

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