O retrato de Doria: um balanço do cinismo

O prefeito paulistano anunciou, nesta segunda feira, que “atenderia aos clames de seu partido”, anunciando sua pré-candidatura ao governo do Estado. Com vozes de estadista, disse estar pronto para a missão que lhe era confiada por seus correligionários.

Doria foi eleito sob a égide da antipolitica. Dizia ser um gestor – mesmo sem ter uma budega  –  e avesso aos tradicionalismos da política no Brasil.

A coragem do prefeito em apresentar sua candidatura ao governo é invejável. Sua confiança na falta de sensibilidade do eleitorado também. A gestão Doria na prefeitura de São Paulo é catastrófica. A mais importante cidade da America latina foi abandonada por um projeto presidencial de um prefeito recém-eleito. Prefeito este, que prometeu em documento cumprir integralmente o mandato.  Em seus 14 meses a frente da maior megalopole brasileira, João Dória praticou o populismo mais rasteiro e o cinismo mais tacanho. A ineficiência de sua gestão pode ser demonstrada nas mais diversas áreas.

Na saúde, Doria fechou diversas AMA’s. 108 pra ser mais exato. O argumento é sempre o mesmo, “readequação do espaço”, “eficiência na máquina pública”.

Na transparência, Doria Rebaixou a CGM – Controladoria Geral do Município a uma reles secretaria. Demitiu a Controladora Laura Mendes Armando de Barros duas semanas após abrir uma investigação sobre seu programa Cidade Limpa.

Nos transportes, Dória propôs o corte de MIL ônibus, dizendo que tal corte “diminuiria o tempo de viagem da população”. A boa vontade para acreditar em tal argumento é quase cristã. Ainda nesta seara, o prefeito cortou o TEG (transporte escolar gratuito) que era oferecido aos alunos do ensino público municipal que moravam longe de sua escola. Na educação, Doria miguelou as merendas e transferiu os alunos que moravam longe imperativamente.
Na cultura, desmontou a Virada Cultural, que teve seu menor público da história. No social, tentou distribuir uma suposta “ração humana”, uma engenhoca nojenta que foi condenada até pelos setores mais conservadores da sociedade paulistana. Paralelo a isso, cortou o antigo Leve Leite, programa tradicional da cidade há três décadas.

Sua gestão ainda foi marcada pela desastrosa invasão à cracolândia, que dispersou uma população de viciados pelo centro de São Paulo, dificultando o tratamento e prejudicando a segurança pública. Doria saberia disso se conhecesse a cidade que diz prefeitar pelo celular, conforme declaração dada ao ser questionado por suas viagens.

A gestão do prefeito gestor possui os piores índices de zeladoria urbana, sua principal bandeira de campanha. Segundo o Estado de S.Paulo, definitivamente livre de diferenças ideológicas com prefeito “Oito de nove serviços de zeladoria – como reparos de calçadas, varrição de rua e limpeza de pichações – feitos pela Prefeitura de São Paulo tiveram queda entre janeiro e agosto, na comparação com o mesmo período em 2016. O pior desempenho foi na extensão de guias e sarjetas, com queda de 55,8% – foram 63,2 mil metros de ampliação em 2017, ante 143,1 mil no ano passado. A zeladoria é uma das principais bandeiras do prefeito João Doria (PSDB).”

A prefeitura de São Paulo parece ter sido um ótimo negócio ao prefeito. O Grupo LIDE, que comanda, conseguiu emplacar diversas de suas marcas na cidade. O lobbista do Viaduto do Chá parece mais eficiente que o prefeito.
Dória vencerá as prévias do PSDB, qualquer candidato minimamente viável venceria. Um político tacanho e signatário das velhas práticas, como ele, venceria com um pé nas costas. O povo paulista não pode deixa-se enganar novamente, caso contrário, continuaremos acelerando rumo ao atraso e a locomotiva do país, logo será a carga morta a ser carregada.

Acelera, São Paulo.

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