MARINGONI: Obrador, a vida real e um país destroçado

Discurso Lopez Obrador
Praça central da Cidade do México, onde uma multidão aguardava o discurso de López Obrador Fonte: Twitter @lopezobrador_

Sim, o discurso de López Obrador foi muito ruim.

Sim, ele fez uma espécie de ‘Carta aos mexicanos’, prometendo “liberdade empresarial”, “independência do BC”, “respeito a todos os contratos financeiros e empresariais” “austeridade fiscal e orçamentária” e “cambios profundos” só que dentro da lei.

Anunciou em campanha que o centro de seu governo seria o combate à corrupção, de uma forma moral e não política.

Será um Lula I piorado, porque os tempos são outros. Não há boom das commodities e nem alavancas internas para promover de imediato um surto de desenvolvimento.

Mesmo assim, é um tento histórico. Para um país com mais de 3 mil quilômetros de fronteira com o Império, com uma economia desindustrializada, com 57% de informalidade no mercado de trabalho e níveis de violência que se alastram pela institucionalidade, a vitória de López Obrador deve ser saudada com vigor.

Na quadra de “reação em toda linha” em que nos encontramos no continente, qualquer fagulha é fogaréu contra a hecatombe ultraliberal. Some-se a isso a maioria obtida no Congresso e a vitória na Cidade do México.

Nunca nos esqueçamos: política se faz com a realidade objetiva. A alternativa era a perenização do PRI no poder.

O impossível fica para ser realizado um pouco mais adiante.

Por Gilberto Maringoni

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