Os cortes de verbas são chantagem pela Reforma da Previdência

O papo de que o país só vai sair da quebradeira e voltar a ter grana com a Reforma da Previdência, propagandeado pelo Reino e repercutido pela grande mídia liberal, é mais conversa pra boi dormir e engabelar incautos.

Está no mesmo nível daquela história de que a Reforma Trabalhista, que eles chamavam de ”flexibilização”, era necessária para gerar empregos. Ora, dois ou três anos depois das mudanças na legislação que acabaram sacaneando o trabalhador, onde estão os empregos? Ninguém sabe, ninguém viu.

É o que a geração de empregos não dependia do ”custo do trabalho” dos brasileiros, como gostam de dizer os grandes empresários. É falsa a ideia de que a realização de maiores lucros das grandes empresas em detrimento dos salários é suficiente para alavancar crescimento econômico. No fim das contas, só aliviou a barra de patrões e jogou boa parte da crise pras costas dos que vivem de salário.

A mesma linha de raciocínio deve ser usada sobre a Reforma da Previdência. Tem de ser muito ingênuo pra pensar que, uma vez que se destrua a Seguridade Social, vai sobrar dinheiro no Orçamento para investimentos e gastos públicos. O Reino está usando, inclusive, uma chantagem em cima de um contingenciamento orçamentário brutal para convencer todo mundo que não há outro caminho se não o da demolição dos direitos sociais, trabalhistas e previdenciários.

Sob a caneta Bic de Bozó, tudo vira pó: universidades, Defesa, ciência, pesquisa, infraestrutura, meio ambiente, agricultura familiar, PIS/PASEP, salário mínimo, Cultura etc. E ele promete que só vai rever os gastos e o possível colapso do Estado caso a Previdência seja entregue na mão dos banqueiros.

Porque, no fundo, é isso que significa toda a conversa e todo o projeto atual de mudanças previdenciárias: encontrar ainda mais espaço no orçamento público para o que realmente interessa para a elite econômica e política que nos governa há três décadas, a saber, rolagem da dívida pública.

O Brasil é refém de um mecanismo parasitário de financiamento do Estado que transfere recursos da produção direto pros bolsos de um cartel de bancos privados. Esse é o arranjo que nossos governantes consideram sacrossantos, e em cujo altar pretendem sacrificar tudo que os rentistas pedem. O país está sendo desmontado, sufocado, asfixiado com o escopo de manter o atual cenário de espoliação.

Não é à toa que, diante da pior década econômica do Brasil em cento e trinta anos anos de República, e enfrentando um processo violento de desindustrialização, desemprego e desagregação social, os maiores bancos privados do país não param de anunciar lucros recordes trimestre após trimestre. A crise não é a mesma para todos. Para quem vive de juros, não há crise. Há só uma festa farta e sem hora para terminar.

Até quando?

Por André Luiz Dos Reis

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