Por que o PDT?

As eleições de 2018 marcaram o encerramento de um ciclo político no Brasil, com a ascensão da extrema-direita e o desmantelamento do sistema político-eleitoral como ele havia se estruturado desde a redemocratização, tendo como polos opostos de disputa o PT e o PSDB durante mais de vinte anos, e o MDB como fiador do chamado “centro democrático”. Esse sistema implodiu, colocando principalmente para o campo progressista a necessidade de uma ampla reformulação. É nessa conjuntura que o PDT surge como alternativa para uma necessária renovação do campo progressista, se colocando como oposição propositiva no Congresso Nacional e defendendo uma nova matriz de desenvolvimento para o Brasil.
Elenco abaixo alguns fatores que, acredito, colocam o PDT em posição privilegiada no tabuleiro político nacional nesse momento de readequação das peças, e que fizeram com que muitas pessoas, vindas dos mais amplos e diferentes lugares (inclusive o autor do texto) escolhessem esse partido para exercer a sua militância no atual momento do país.

O PDT tem História: O Trabalhismo como síntese Política do Brasil

A única força genuinamente nacional que moldou um desenho de Economia Política de feição verde e amarela, é o Trabalhismo brasileiro. Esse Trabalhismo foi responsável pela industrialização do país, pela construção de uma nação moderna, foi também o pioneiro na adaptação de um certo keynesianismo à realidade brasileira. Não é à toa que sob a inspiração do modelo inaugurado por Getúlio Vargas, o Brasil tenha sido o país que mais cresceu no mundo entre 1930 e 1980. Pra além disso, esse modelo também apresenta respostas para a questão dos pobres e excluídos da sociedade brasileira. O PDT foi o primeiro partido a eleger um indígena, o líder xavante Mário Juruna e a eleger um negro para o Senado Federal, Abdias do Nascimento. É um partido que tem como motor os movimentos de base das mulheres, dos negros, da juventude, comunitário, cultural e LGBT. O PDT foi concebido por Leonel Brizola no período da redemocratização como um partido aberto, maleável, livre de dogmas, buscando sempre a conexão com a dialética do povo brasileiro. Na base de todo esse projeto, a bandeira mais importante de todas: a educação. Os CIEPS (Centros Integrados de Educação Pública) idealizados por Darcy Ribeiro e Brizola até hoje são um marco na luta pela emancipação da juventude brasileira através da educação pública, universal, gratuita e de qualidade.
Na atual conjuntura, o Trabalhismo redivivo apresenta uma alternativa para os progressistas não só do Brasil, mas também do mundo. De um lado pela morte do chamado “socialismo real” ou “comunismo histórico” de matriz soviética. Do outro, pela desmoralização da esquerda democrática que ao chegar ao poder continuou replicando as mesmas práticas neoliberais que tanto criticava. O Trabalhismo traz em si uma alternativa de desenvolvimento que equilibra a convivência entre a garantia da propriedade privada e a função social da propriedade, dando conteúdo prático para teorias desenvolvidas, por exemplo, pelos sociais democratas e pela Igreja Católica a partir da encíclica Rerum Novarum. No Brasil, Getúlio Vargas é quem coloca em prática essas teorias pela primeira vez, baseando seu nacionalismo econômico em um neokeynesianismo muito bem traduzido para a realidade brasileira.
É nesse sentido que o Trabalhismo também traz a resposta para a questão da pobreza. Esse é um projeto que compreendeu que o “capitalismo solto” é produtor de iniquidade, concentração de renda, instabilidade e crise. É dessa compreensão que surgem as políticas públicas de seguridade social, como a legislação trabalhista, por exemplo, e a valorização do emprego público como um setor privilegiado para a formação de uma inteligência bem formada para a condução do país. Desse projeto de nação surgem políticas de valorização e fortalecimento do Banco do Brasil, a criação da SUDENE (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste), do BNDE (Banco Nacional de Desenvolvimento), da Petrobrás, sempre procurando criar quadros para governar o país na direção do desenvolvimento e da soberania nacional.
Em resumo, o Trabalhismo é um projeto de emancipação nacional que busca pela geração e distribuição da riqueza a equidade social, tendo como base o investimento massivo em educação e a regulação e ampliação dos direitos dos trabalhadores. Logo, uma síntese entre as mais diversas teorias do campo da esquerda e a realidade brasileira. Como disse certa vez Ciro Gomes: “O PDT e o trabalhismo são o olho em terra de cego”.

O PDT tem um projeto: a questão nacional e o Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento

É claro que no mundo de hoje a questão nacional voltou a ter papel fundamental na geopolítica, vide as tensões entre EUA e China e suas respectivas políticas protecionistas. Ao mesmo tempo, no Brasil temos um governo claramente antinacional, ainda que sua retórica diga o contrário, que entrega as riquezas nacionais para as potências estrangeiras, vide o caso da Embraer e os planos de esquartejamento e privatização da Petrobrás. Da mesma forma, a desindustrialização brasileira avança a passos largos enquanto a balança comercial do país se segura, por enquanto, baseada no agronegócio, conta que já apresenta sinais de não mais fechar nesses moldes.
Dito isso, enfatizo que a única organização político-partidária do país que tem uma solução para esse problema grave é o PDT. Os trabalhistas têm para apresentar ao país um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento, com começo, meio e fim, que procura unir quem produz e trabalha, além de dar conta dos gargalos do desenvolvimento brasileiro a partir de dois pilares fundamentais: a reindustrialização e um maciço investimento em gente, através de um reordenamento total da Educação no país. Esse é o projeto capaz de recolocar o Brasil nos trilhos de um novo desenvolvimento, sustentável a longo prazo e que garanta a elevação do padrão de vida do nosso povo e a soberania nacional.

O PDT tem uma tática: alternativa a crise do petismo e a extrema-direita

Sabe-se que hoje no Brasil a maior força política existente tem como seu motivo de ser não a afirmação de uma ideia ou projeto, mas sim a negação de algo: trata-se do antipetismo. Essa força foi fundamental para a ascensão da extrema-direita, servindo como combustível para a eleição do atual governo. Fica bastante evidente que esses dois polos se retroalimentam, de um lado, o governo continua apostando na demonização do petismo, colocando como principal ameaça para o Brasil a possibilidade do retorno do PT em caso de fracasso. Do outro lado, o petismo aposta na oposição do “quanto pior melhor”, tendo plena confiança de que um fracasso dos bolsonaristas significa seu automático retorno ao poder nos braços do povo. Em meio a essa polarização estéril e irracional se coloca o PDT, com uma proposta diferente, de oposição propositiva, consequente, que não apenas aponta os erros do governo, mas também apresenta alternativas para as grandes questões do Brasil. O Trabalhismo, dessa forma, se coloca como a real alternativa para a reconstrução do campo progressista no país, anulando a polarização estéril e renovando o sentido do “ser de esquerda” no Brasil.

O PDT tem uma grande liderança nacional: Ciro Gomes

É indiscutível, e reconhecer isso é questão de honestidade intelectual, que Ciro Gomes é hoje a liderança mais preparada do campo progressista. Ciro tem três qualidades que o qualificam para tal posição: sólida formação acadêmica e teórica, vasta experiência na gestão pública, com conhecimento em detalhes dos meandros da vida política nacional, e por último, mas não menos essencial, boa retórica. Não há ninguém mais no campo da centro-esquerda (talvez nem mesmo na política nacional de forma geral) que una essas três qualidades, isso é fato incontestável e gabarita Ciro a ser, por justiça, o líder do campo progressista nesse novo momento da vida nacional.

Conclusão: O PDT e o trabalhismo como protagonistas da história brasileira

Enfim, esses quatro tópicos evidenciam como na nova conjuntura política nacional o PDT volta a ser um dos atores principais, crescendo e se renovando a partir da campanha de Ciro Gomes a presidência em 2018 e apontando os caminhos mais sólidos para uma reconstrução efetiva do campo progressista e das forças de esquerda no Brasil, além de ser a única força política a ter uma resposta clara e objetiva para a questão nacional e do desenvolvimento brasileiro.

Comunicação proferida pelo autor no I Congresso da Juventude Socialista do PDT do município de São Paulo, intitulado: “Renascimento Trabalhista: centenário de João Goulart” em 11 de maio de 2019.

4 Comentários

  • Excelente texto. Retratou muito bem o atual cenário político brasileiro. Realmente, é indiscutível o fato de que Ciro Gomes é uma força intelectual política sem igual, atualmente. Precisamos apostar nele nossas fichas.

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  • Concordo com o texto. Porém, destaco que muitos tem receio pelo fato do Ciro Gomes já ter sido aliado do PT e por ter viajado pós 1º turno de 2018. Considerando esses aspectos que dividem os progressistas, não seria Flávio Dino uma opção?

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  • Excelente texto. Me permita compartilhá-lo em minha página Raiz trabalhista. Aproveito para convidá-los a visitá-la e contribuir com seu conteúdo. Saudações trabalhistas.

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