Popularidade de Bolsonaro continua caindo no Datafolha

Nova rodada do Datafolha sobre a avaliação do governo traz alguns sinais opostos. A popularidade de Bozó continua caindo. Ele tem agora 29% de aprovação [bom/ótimo] e 38% de desaprovação [ruim/péssimo].

Não passa de um erro, portanto, a ideia de que o país está dividido em ”três partes iguais” e que o piso de Bozó já teria sido alcançado. Ele ainda tem muito o que desidratar. Pro Reino, as notícias são muito ruins, pois um Presidente fraco e sangrando atiça as aves de rapina de todos os lados. A vida tende a ficar cada vez mais difícil no Palácio do Planalto. A tática de despirocar e partir pra briga e pro radicalismo só está sendo apenas relativamente bem sucedida.

Por outro lado, a queda de Bozó é mais lenta do que eu esperava. Cheguei a dizer que ele estaria abaixo dos 25% de aprovação em agosto. Não aconteceu, Jair vem se mostrando mais resiliente do que o previsto. Com o atual ritmo de perda de capital político, não há condições de propor um impeachment ainda esse ano.

A prova disso é que o presidente ainda tem 57% de aprovação entre aqueles que votaram nele no segundo turno. Apenas um quinto de seu eleitorado diz estar arrependido do voto que deu. Assim, uma proporção nada desprezível do eleitor de Bozó continua fiel à escolha de outubro passado.

A resistência relativa não se deve mais à classe média. Houve uma inversão nas tendências na faixa com renda familiar superior a 10 SM, e Jair caiu de 51% para 37% de avaliação positiva. Um tombo de catorze pontos em pouco mais de seis semanas. A proporção dos que o avaliam negativamente disparou para 46%, indicando forte polarização nessa fração do eleitorado — um panorama que já vinha se desenhando na pesquisa anterior.

Entre os mais pobres, aqueles com renda familiar inferior a 2 SM, Bozó continua em baixa, com apenas 22% de bom/ótimo [e 43% de reprovação].

É nas classes populares, portanto, que a resistência relativa de Bozó se dá. O presidente mantém 34% entre os que vivem em lares com renda entre 2 e 5 SM [reprovação de 34%], e cresceu de 37% para 39% na faixa de renda familiar entre 5 e 10 SM [reprovação de 31%].

A popularidade do Reino também se mostra estável entre os evangélicos, com 37% [27% de desaprovação]. Quando se trata de neopentecostais, a popularidade de Bozó se eleva para 46% [rejeição de apenas 20%]. Num recorte por regiões, tanto no Sul quanto no Centro Oeste, o Reino continua sendo mais aprovado do que desaprovado [37% a 31% entre os meridionais, e 37% a 32% no estados centrais].

Nas Regiões Metropolitanas, no entanto, o Presidente está na pior, com 27% de aprovação e 42% de ruim/péssimo. No Nordeste, sua fita já está inteiramente queimada, com 17% de avaliação positiva e 52% de rejeição.

A posição de Bozó no momento é frágil e periclitante, e o horizonte se torna a cada dia mais turbulento, prenunciando a tempestade. Mas ele não está em coma. Ainda existem nichos importantes da população que se sentem bem representados e que não percebem o atual governo como um desastre ambulante. Classes populares, evangélicos, e habitantes do Sul e Centro-Oeste.

Por André Luiz dos Reis.

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