Trudeau recebe carta de deputados canadenses sobre assassinato de Marielle Franco

No último domingo (18/03), líderes de quatro partidos políticos canadenses assinaram uma carta escrita pelo deputado Amir Khadir, do partido Québec Solidaire, sobre o assassinato da vereadora do Rio Marielle Franco.

A carta foi enviada ao atual Primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, e pede que o país interceda junto às autoridades brasileiras, em colaboração com outros atores sociais e órgãos políticos internacionais, por uma investigação independente e pública, que busque a verdade sobre as circunstâncias e responsabilidades do caso.

A tradução do original em francês foi realizada pelo Coletivo Brasil-Montreal. O coletivo afirmou que ainda essa semana participará de um encontro com os deputados referente à produção de um novo documento, e que este deverá contar com a assinatura de intelectuais, especialistas em América Latina e outras organizações, para pressionar o governo canadense a agir rapidamente.

Uma das organizadoras do Coletivo Brasil-Montreal, Alessandra Devulsky, informou ao Portal Disparada que está tentando criar uma rede de apoio internacional ao caso Marielle Franco. A iniciativa conta com o apoio dos deputados Alexandre Boulerice (Nouveau Parti Démocratique) e Amir Khadir (Québec Solidaire).

Confira abaixo a íntegra da carta enviada ao Primeiro-ministro:

18 de março de 2018

Ao Primeiro-ministro Justin Trudeau

Governo do Canadá

Ottawa, Canadá

URGENTE – ASSASSINATO POLÍTICO DE UMA JOVEM REPRESENTANTE NO BRASIL

No dia 14 de março, Marielle Franco, vereadora do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), no Rio de Janeiro, foi brutalmente assassinada com quatro tiros, assim como o motorista do veículo que a conduzia, após ter participado de uma roda de conversa com o tema Mulheres Negras Movendo Estruturas”. 

Nascida e criada nas favelas próximas ao Rio, a socióloga de 38 anos, militante feminista e nos movimentos LGBT e antirracista foi também uma figura pública que denunciava abusos, violências e assassinatos cometidos pelas milícias armadas em nome de grupos corruptos das forças de ordem brasileiras. Alguns dias antes de ser assassinada, ela havia repercutido acusações de moradores da favela de Acari, denunciando mortes que teriam sido cometidas pela polícia local. Recentemente, ela também havia sido nomeada como relatora do comitê especial da câmara dos vereadores do Rio de Janeiro, que se encarregaria de investigar a intervenção das Forças armadas brasileiras nas favelas.

Este assassinato no contexto da intervenção militar federal decretada em fevereiro no estado do Rio de janeiro pelo presidente Michel Temer, e apenas a alguns meses das eleições presidenciais, suscitou uma grande indignação na opinião pública brasileira e ecoa no cenário internacional. Este assassinato abjeto vem alimentar, sobretudo, a grande preocupação que se instala no Brasil desde a posse do atual presidente quanto à segurança dos/das militantes políticos/as e quanto ao respeito às liberdades civis mais fundamentais.

No Rio de Janeiro, como em todo o Brasil, as homenagens e encontros se multiplicam para honrar a memória desta formidável militante. Na última sexta-feira, quebequenses de origem brasileira e amigos do Brasil organizaram uma vigília por Marielle na praça da Place des Arts, em Montréal. O partido Québec Solidaire se uniu ao evento e enviou suas condolências aos familiares de Marielle Franco e aos militantes do PSOL.

Em nome dos meus colegas deputados e deputadas e em nome dos membros do Québec Solidaire, eu me dirijo hoje ao senhor, pois nós desejamos chamar a atenção para esta situação crítica que reivindica vossa intervenção perante as autoridades brasileiras.

Mais precisamente, eu peço ao senhor, Primeiro-ministro, que se una aos diversos atores sociais e órgãos políticos na América e na Europa, como a Anistia Internacional, que solicitam uma investigação independente e pública para que toda a verdade seja estabelecida quanto às circunstâncias e à responsabilidade por este assassinato.

Cordialmente,

Amir Khadir

Deputado de Merier

Québec Solidaire

CC: Jagmeet Singh, chefe do NPD, Martine Ouellette chefe do BQ, Elizabeth May, chefe do PVC.

Documento original em francês: file:///home/chronos/u-b5421757f876297424eb58e192aa4b6704f45a9e/Downloads/20180318_Lettre_Trudeau_Khadir.pdf

1 Comentário

  • Condolências na página da Embaixada do Brasil em Moscou. https://www.facebook.com/1996887460566915/photos/p.2020811334841194/2020811334841194/?type=3&theater
    Amigos! As organizações russas de direitos humanos, o “CST command” e CPLCRB (ОКОРГБ) expressam sua tristeza e indignação com o assassinato brutal e
    demonstrativo de Mariel Franco, que defendeu o povo do Brasil do terror da polícia e provavelmente morreu precisamente por esse motivo. Vamos conter nossas lágrimas, porque os russos não estão acostumados a chorar, mas nossa indignação fluirá para os rios de indignação do povo brasileiro. Nós sabemos o que o terror da polícia no Brasil é, porque nossas organizações foram criadas em resposta à repressão (prisões arbitrárias maciças e prisões sem sinais e eventos de crime) contra turistas inocentes russos em Manaus em 2016 (https://www.youtube.com/watch?v=q4JV-EGEbMQ& https://www.youtube.com/watch?v=G8IJ8ZBwMW0). Portanto, não podemos ser indiferentes ao fato de que no Brasil, na luta contra a violência policial e a ilegalidade, os melhores e mais dignos cidadãos do país estão morrendo. esperamos que o estado encontre assasões covardes e os punha severamente. Nós sempre lembraremos de Mariel e seu nome servirá de exemplo de coragem e amor para as pessoas. Organização não-governamental russa para a luta contra o terrorismo de Estado “CST command”, anunciou na imprensa brasileira e as redes sociais, ele está pronto para pegar a bandeira da luta contra a violência policial, caído das mãos do Mariel Franco e anunciou seus contatos para a recepção de todos (incluindo anônimo) atos de mensagens ilegalidade e terrorismo pela polícia.
    Mais uma vez, aceite nossas mais profundas condolências no assassinato da filha mais digna do povo brasileiro. Nós sempre lembraremos dela.

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