GUSTAVO CASTAÑON: O projeto mamata do mito

O que é que significa um projeto para diminuir depósito compulsório de bancos e garantir bancos que venham a quebrar?

É tão simples quanto desconhecido do grande público.

É aumento da emissão de moeda.

É isso mesmo.

Duas únicas entidades podem emitir moeda na economia moderna:

O Estado, por direito, e os bancos, na prática.

Como bancos privados emitem moeda?

Com um processo chamado de alavancagem.

Suponha que um banco tenha 100 bi em depósitos.

Não há nada que o impeça de emprestar os 100 bi para outros. Ao fazê-lo, os 100 bi viraram 200 na economia: os 100 bi nas contas dos depositantes originais e os 100 bi em créditos nas contas dos devedores.

Se esses devedores transferem esse dinheiro para outros bancos o processo pode se repetir indefinidamente multiplicando também indefinidamente a quantidade de moeda (escritural, mas moeda) na economia.

Na verdade, sem regulação, não há nada que impeça um banco de emprestar até mais do que 100% do que tem em depósitos.

É claro que quanto maior a alavancagem, mais instável o sistema financeiro, com as instituições bancárias extremamente vulneráveis a uma corrida de saques.

Para aumentar a segurança do sistema e impedir a multiplicação infinita da moeda o BC cria o depósito compulsório: uma parte do que os clientes depositam tem que ficar recolhida no Banco Central e não pode ser base para novos empréstimos.

Assim, a cada novo depósito parte fica recolhida ao BC fazendo a quantidade total de moeda escritural na economia tender a um teto, um limite.

Quanto menor é o depósito compulsório, mais o Estado está transferindo seu poder de emitir moeda para os bancos privados decidirem para onde vai o crédito da economia e se apropriarem de riqueza real com pirâmides contábeis.

É isso o que o Bolsonaro está fazendo para aumentar o crédito, entendeu?

Ainda com programa de recuperação para os bancos que eventualmente quebrarem na brincadeira.

O neoliberalismo é o socialismo e farra fiscal para os ricos com capitalismo e austeridade para os pobres.

Classe média?

Já morreu, só resta o judiciário.

Bem vindo ao admirável Brazil novo!

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