O vício de origem do PT é a ausência de nacionalismo

O PT entregou a cabeça da pernambucana Marília Arraes em troca do PSB jogar fora seu tempo de TV, numa eleição na qual o PSDB já tem quase metade do tempo total. Em Minas Gerais a mesma coisa. O apoio do PSB ao petista Pimentel era possível mesmo sem a neutralidade nacional. Como isso ajuda na luta contra o golpe? Ou na libertação do Lula? Não ajuda em nada, é o último suspiro do pseudo-pragmatismo do PT esmagando seus aliados que não hesitam em momentos decisivos para a nação como a crise do mensalão, a eleição de 2014, o impeachment, e se tudo der errado, o segundo turno de 2018…

Escrevi há mais ou menos 1 ano atrás sobre o pseudo-pragmatismo do PT, o ethos hegemonista de um projeto de poder moralista. Em termos de conteúdo de seu projeto, a ausência de nacionalismo é o vício de origem do PT. O anti-varguismo do sindicalismo lulista aliado à intelectualidade da USP, fundada em 1932 pelos paulistas derrotados por Getúlio Vargas, são a fundação ideológica do partido hegemônico da esquerda brasileira há quase 3 décadas. Foram fundadores do PT, Sérgio Buarque de Hollanda, Francisco Weffort e outros, que formularam as teses do patrimonialismo como causa dos problemas nacionais, e do populismo como manipulação política. Hoje, é Fernando Haddad, intelectual também crítico do binômio patrimonialismo-populismo, o escolhido por Lula para ser seu substituto na eleição.

Seguindo a tradição do trabalhismo brasileiro, expressão do nacional-populismo inaugurado pela Revolução de 1930, Leonel Brizola apoiou Lula sem nenhuma contrapartida desse tipo que o PT usa pra justificar a baixaria em Pernambuco, chegando a aceitar ser vice do jovem (à época) sindicalista que tanto falou mal de Vargas e do trabalhismo. O fato é que o PT se solidificou como pilar esquerdo do sistema político inaugurado pela redemocratização na Constituição de 1988, e o nacionalismo da tradição trabalhista foi sendo esvaziado com o envelhecimento e a morte de Brizola.

No entanto, este sistema político de 1988 está em franca decomposição, e a vanguarda do imperialismo atua para terminar de destruí-lo através de corporações públicas autoritárias que buscam radicalizar a violência contra os interesses nacionais, sufocando a resistência da força do sufrágio universal.

É preciso encerrar o ciclo neoliberal e seu sistema político de 1988 baseado no pântano do pemedebismo, derrotando sua ala direita, o PSDB, sua ala esquerda, o PT, e sua ala bonapartista, a Lava-Jato. Não há saída por dentro da hegemonia do lulismo. Lula não está disposto a sacrificar a si e a seu partido, como Getúlio Vargas e seus herdeiros políticos fiéis ao seu testamento, que colocava o interesse nacional acima dos interesses de grupo e da própria vida. Só um novo populismo nacionalista pode superar essa crise pela esquerda.

Sem ilusões ou bravatas. O pessimismo da inteligência provou-se mais verdadeiro do que nunca com a reorganização das forças políticas hegemônicas em crise: o PSDB liderando o centrão, e o PT esmagando o nacionalismo. Essa batalha das alianças acabou.

No entanto, a eleição desse ano, em meio a uma crise tão profunda e duradoura, com esse nível de incerteza nas pesquisas eleitorais, é uma dessas brechas históricas, nas quais impera a contingência. É preciso muita firmeza patriótica, coragem e otimismo da vontade em momentos dessa gravidade.

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