O vendaval perene para a queda ou renúncia de Jair Bolsonaro

Posso estar errado ou me precipitando, mas Jair Bolsonaro tem tudo, uma lista imensa, para renunciar ou ser defenestrado. Se não agora, provavelmente muito antes do fim do mandato.

O humilde vaticínio (independente de Lula ter sido solto) é menos por conta do meu desejo (embora eu deseje muito) e mais por encaixe e desencaixe do quebra-cabeça dos fatos. O governo começou mal com aquela palhaçada das armas e está terminando mal o primeiro ano do mandato.

A lista do que tem para a sua renúncia ou defenestração é longa, com epicentro na crise econômica. Por mais que a atual conjuntura beneficie determinadas forças hegemônicas, os humores do fundo do poço têm limites.

Seria ocioso aqui destacar os números da economia, que se misturam ao 58 de sua casa, localizada no mesmo condomínio onde mora um dos caras acusados de matar Marielle Franco e Anderson Gomes.

Dados e números de investigação criminal podem até ser manipulados. E os da economia também. Porém, os fatos de ambas já criaram humor político tão crítico quanto nevrálgico, mesmo com a cooptação de parlamentares por Bolsonaro. Mesmo com algum Abafador-Geral da República.

É que interesses e conjunturas mudam no processo errático das políticas públicas internas, que são imbricadas nos humores internacionais. Talvez nunca antes nesse país próceres fanáticos de uma onda tenham defenestrado seu líder do seu próprio fanatismo e virado a casaca tão rapidamente.

O anúncio extemporâneo, essa semana, de ampla reforma do estado, extinção de municípios e outras medidas visando à continuidade do desmonte nacional nada mais é do que a velha tática de ganhar tempo para nada resolver dos problemas essenciais e concretos que afligem a sociedade.

Se alguém quer entender o que siginifa “velha política”, ela não diz respeito aos políticos tradicionais, objeto de sua criminalização. Ela diz respeito à captura do estado capitalista por determinadas forças hegemônicas (nacionais e internacionais) para adiar crises, temporais e tsunamis. E rapinar recursos da sociedade no menor tempo possível.

A velha política sempre se rebobina em nova política no “vendaval perene da destruição criativa”, para usar uma expressão de Schumpeter.

Aliás, sempre falam da “destruição criativa” como se fosse algo qualificado e inovador do capitalismo, mas esquecem que Schumpeter falava também no “vendaval perene” dessa destruição. O que, de certa forma, converge com as previsões marxistas sobre as transformações do capitalismo.

Porém, o tempo, com seus ponteiros de paciência, não permite semblantes de paisagem, como se o governo dissesse: “ó, meu negócio é administrar (destruir) o estado. A crise é com vocês. Vocês resolvam.”

Vocês quem? Os bancos, os empreendedores individuais ou as petrolíferas que não se atraíram pelo leilão criminoso do petróleo?
Não, não, Bolsonaro, o tempo também manda sua fatura, e parece que ela vai cair no seu colo mais dia, menos dia. E nós lutamos contra o tempo para que a barbárie não continue…

2 Comentários

  • rsrsrs tem gente que não consegue entender que NÓS É QUE NÃO QUEREMOS ser governados por lixo comunista. Ficam atacando a pessoa do Bolsonaro igual um bando de doente mental.

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