Reino Unido diz não, novamente, ao globalismo!

A acachapante vitória dos Tories no Reino Unido não é nenhuma surpresa para quem acompanha o dia-dia da política internacional. O líder conservador, Boris Johnson conseguiu sua consagração ao levar o seu partido ao resultado mais expressivo em quase 40 anos.

Johnson conseguiu esse feito ao se tornar o símbolo máximo da repulsa ao globalismo e ao establishment na Grã-Bretanha ao propor uma agenda que se atenta as pautas nacionais como o desemprego estrutural e o aumento do custo de vida dos britânicos, além de uma retórica de enfrentamento ao sistema. Boris Johnson atraiu para si olhares de setores que na eleição anterior haviam apostado no líder trabalhista, Jeremy Corbyn, o qual não conseguiu a mesma expressividade que na eleição passada.

O esgotamento da agenda globalista no Reino Unido estava evidenciado desde a votação do Brexit que derrubou o conservador e globalista, David Cameron. Sua sucessora, adepta da mesma agenda, não obteve sucesso e colocou em risco o poder dos conservadores em 2017 ao quase colocar Corbyn no cargo máximo do Parlamento Britânico.

Reino Unido Brexit globalismo

Após o fracasso das conduções do Brexit pela ex-Ministra Thereza May, o partido conservador se viu obrigado a abrir espaço para o ex-prefeito de Londres que aproveitou a oportunidade para reafirmar sua agenda anti-establishment, anti-globalista e conservadora nos costumes. A estratégia foi consagrada na histórica votação de ontem que impôs aos trabalhistas o pior resultado em mais de 70 anos.

Tal fenômeno deve se repetir na eleição norte-americana, o acerto na condução da economia de Donald Trump o coloca como favorito para o pleito. A política protecionista de Trump trouxe aos EUA a menor taxa de desemprego de sua história somado ao sucesso econômico, o governo do republicano seguiu o discurso anti-establishment que o levou ao poder. Está evidente que os norte-americanos não sentem falta da agenda globalista de Obama e dos Clinton, a mesma agenda que deve ser defendida pelo democrata Joe Biden nas eleições do próximo ano.

Fica a lição para o campo progressista no Brasil. Ou eleva o discurso prioritário com as pautas nacionais como emprego, educação, segurança-pública e oportunidades ou verá o Governo de Jair Bolsonaro reeleito com o seu tripé: discurso antissistema, valorização dos símbolos nacionais e a pauta de costumes. A esquerda brasileira tem dois caminhos: um já é conhecido e tem apelo globalista e identitário, o outro está em construção e a princípio se sustenta por um Projeto de Nacional Desenvolvimento com soluções para problemas do dia-dia, se não se deixar contaminar pelo globalismo e pelo identitarismo exacerbado, tem tudo para se firmar como alternativa ao Bolsonarismo.

Por Vitor Imafuku

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