JONES MANOEL: O sonho de ser rentista e a decadência da pequena-burguesia brasileira

O Fantástico da Rede Globo exibiu uma reportagem sobre os roubos e golpes do deputado do DEM Luis Miranda. O sujeito ficou famoso na internet vendendo cursos onlines de “empreendedorismo”, prometendo dinheiro fácil, aplicações financeiras de alto retorno e depois, com discurso anticorrupção, moralista e de política como gestão, se elegeu deputado.

Na reportagem a coisa que mais me chamou atenção foi o perfil dos enganados. Pessoas com ensino superior e altíssima escolarização, pequenos e médios empresários; pessoas, em suma, que tem disponível 30, 40, 50, 100 mil para “investir”.

Note, não precisa ser gênio das finanças. Eu, que nunca tive dinheiro, já tinha visto os vídeos desse cara e na hora pensei: isso é esquema pirâmide ou um simples golpe. Dito e feito. O negócio era evidente, escancarado. Algumas poucas palavras de motivação, liderança e ousadia e noções básicas de contabilidade e administração de empresas foram suficientes para enganar uma parte do topo da pirâmide brasileira: pessoas que fazem parte do 1% mais ricos, não são a classe dominante, mas vivem melhor que a imensa maioria do nosso povo.

Isso é uma prova cabal da indigência intelectual, cultural, política e teórica dessa gente. O sonho de ser um rentista, de ganhar dinheiro fácil e rápido sem trabalhar ou até mesmo gerir um negócio, permeia o imaginário deles.

O burguês ideal não é mais o “capitão da indústria” que acorda cedo, vai ao chão da fábrica, comanda os operários. É o personagem do O Lobo de Wall Street: dinheiro sem esforço, cocaína, luxo, ostentação, prostituição; em suma, a mágica, como diria Marx, do D – D: uma das formas mais fetichizadas do capital.

E vocês acham que é possível construir um novo Brasil com essa gente? Delírio!

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