JONES MANOEL: Sobre a República Democrática Alemã (RDA)

Nos últimos dias circulou muito uma matéria (seja no Nexo ou no El País) sobre as mulheres no socialismo “gozarem mais” comparando o nível de satisfação sexual, e no quadro mais amplo os direitos das mulheres, na RDA [ República Democrática Alemã ] e na Alemanha burguesa. Nem quero falar da matéria em si. O mais interessante nessa matéria e em outras é o dado fundamental sempre ocultado.

Próximo ao final da Segunda Guerra Mundial, enquanto Winston Churchill e Franklin Delano Roosevelt (antes de morrer) acariciavam planos de acabar com a Alemanha enquanto Estado e povo (falando, inclusive, de esterilização forçada em massa), a União Soviética colocava claramente seu direcionamento na questão alemã: des-nazificação, eleições livres, assembleia nacional constituinte e restabelecimento da soberania alemã com restrições ao rearmamento total.

Ao final da Segunda Guerra, a posição da URSS continuou a mesma. Eleições livres com assembleia nacional constituinte. As potências imperialistas, com Estados Unidos na cabeça, e a burguesia alemã não queriam eleições por um motivo evidente: a popularidade dos comunistas era tão grande que eles, certamente, ganhariam em uma eleição limpa.

Por isso, EUA, Inglaterra e França forçaram uma separação permanente da Alemanha, tal como fizeram com a Coreia e o Vietnã (esse último conseguiu se reunificar).

A RDA não nasceu dos planos do Exército Vermelho ou da “sede de poder” de Stálin.

A RDA nasce do ato das potências imperialistas de não aceitarem, veja só, eleições livres e limpas.

Por Jones Manoel.

Deixe uma resposta