RICARDO CAPPELLI: Lula que não muda, não muda a maré

Por que Lula está criticando os manifestos amplos contra o fascismo? Qual o motivo de insistir na demarcação de um campo, pagando o preço do isolamento? Ele não sabe o que faz?

Lula é candidato a presidente. É um direito seu. Legítimo. Desde a redemocratização, abriu mão apenas em 2014 para Dilma. Em 2022, livre e com o país em frangalhos, vai repetir a estratégia de 2018 emparedando o TSE.

Este projeto orienta as posições do PT.

No episódio do vazamento da “reunião dos palavrões”, o partido desmoralizou a narrativa de Moro. Bateu na tecla de que o ex-juiz não sabe o que são provas. Por que fez isso?

A forma de viabilizar o projeto é conseguir a absolvição de Lula no STF. Abalar a credibilidade de Moro é peça chave na estratégia. Taticamente, “Bolsonaro pode esperar”.

Outro elemento que aparece de forma subliminar é a visão de que existe uma superestimação da ameaça de autogolpe. A radicalização na frente do tablado nem sempre corresponde ao jogo que está sendo jogado atrás das cortinas. Uma máxima que vale para os dois lados.

A recusa à Frente Democrática faz parte do mesmo cálculo político. Qual a maior força do país? Torcidas à parte, existem Bolsonaro, Lula e os outros. No tal #Somos70%, pelo menos 30% é de lulistas. Nos 40% restantes, quem é a segunda força? Existe alguma unidade?

Dependendo do objetivo, não faz sentido o Barcelona jogar o Brasileirão. Não lhe acrescenta nada e ainda pode acabar arranhando sua imagem ao desagradar alguns torcedores.

As eleições municipais irão medir as forças novamente. A situação não é nada boa para os companheiros. Em SP e no Rio, com Jilmar Tatto e Benedita, o partido deverá ter o pior resultado desde a sua fundação. Irrelevante diante da força pessoal do ex-presidente?

O PT é o maior partido do Brasil. Chegou ao poder vencendo quatro eleições nacionais consecutivas. Uma verdadeira epopeia. Mas ventos são ventos. E é justamente a mudança deles que torna a história tão interessante.

Se Nicolau II, o último Czar, tivesse aceitado perder poderes e instaurado uma verdadeira monarquia constitucional no Império Russo, teria perpetuado os 300 anos dos Romanov? Talvez. Quando se deu conta que os tempos haviam mudado e resolveu renunciar, já era tarde. Acabou fuzilado com sua família.

Cercado por Maomé II durante 53 dias, Constantino XI, o imperador Bizantino, tinha consciência de que a derrota era o desfecho mais provável. Recuar ou honrar o último suspiro da “Roma do Leste”? O emergente Império Otomano destroçou Constantinopla.

Impérios caem pela impossibilidade de parar o relógio dos acontecimentos, e pela incapacidade – mesmo tendo consciência da necessidade – dos líderes de fazerem manobras drásticas.

Na história, “cair de pé” costuma ser a escolha mais comum.

ricardo cappelli lula que não muda, não muda a maré frente ampla

9 Comentários

  • A Miriam Leitão apaixonada pelo FHC a gente deplora, mas ainda entende (quem mais vai querer aquela véia?), mas homem apaixonado pelo boca de sovaco … Ah, vá se curar numa igreja evangélica, seu Capelli!

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  • podia ter um fundo escuro para o site. este branco além do consumo exagerado de energia é uma agressão aos olhos…

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    • Sim, porque o PC do B é feudo das organizações estudantis, e o meio acadêmico está fechado com o lulopetismo – estudantes no PC do B, professores e servidores no PT. Existem algumas minorias nos PCB da vida, que inclusive conseguiram mudar o curso da história em 2013, mas agora o jogo é outro. O que importa dizer é que os acadêmicos declararam guerra tanto aos servidores civis não-acadêmicos, que já abandonaram PT e CUT há muito tempo, quanto aos servidores militares. Essa é a luta hoje, e esse é o motivo pelo qual não vai sair nenhuma “frente ampla” do papel, pelo menos nenhuma que os acadêmicos aceitem fazer parte sem serem os donos dela.

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  • Também com a desgraça dos infernos do PT® no poder, tinha de surgir Bolsonaro. Bolsonaro é conseqüência do petismo™. Enquanto o PT© tentava destruir FHC diariamente, surgia por trás e, sorrateiramente, Bolsonaro!

    E o PT, hein?, aquela coisa desgraçada.
    E a Copa do Mundo no Brasil, hein? Em vez de se construir hospitais, construiu-se prédios inúteis.
    “Muito engana-me, que eu compro”
    E o PT®? Qual o poder constante de sua propaganda ininterrupta?
    Eis:
    Vive o PT© de clichês publicitários bem elaborados por marqueteiros. Estilo do brilhante e talentoso João o Milionário Santana. Nada espontâneo.
    Mas apenas um frio slogan (tal qual “Danoninho© Vale por Um Bifinho”/Ou: “Skol®: a Cerveja que desce Redondo”/Ainda: “Fiat® Touro: Brutalmente Lindo”). Não tem nada a ver com um projeto de Nação.
    Eis aqui a superficialidade do PETISMO:
    0.“Coração Valente©”
    1.“Pátria Educadora™” [Buá; Buá; Buá].
    2.“Pronatec©”
    3.“A Copa das Copas®”
    4.“Fica Querida©”
    5.“Impeachment Sem Crime é Golpe©” [lol lol lol]
    6.“Foi Golpe®”
    7.“Fora Temer©”
    8.“Ocupa Tudo®”
    9.“Lula Livre®”
    10.“®eleição sem Lula é fraude” [kuá!, kuá!, kuá!].
    11.“O Brasil Feliz de Novo®”
    12.“Lula é Haddad Haddad é Lula®” [kkkk]
    13.“Ele não®”.
    14.“Minha Casa, Minha Vida©”
    15.“Saúde não tem preço®”
    16.“Haddad agora é verde-amarelo®” [rsrsrs].
    17.“Rede cegonha©”
    18.“LUZ PARA TODOS™” (kkk).
    19. (…e agora…): “Ninguém Solta a Mão de Ninguém©”
    20.“Água para todos©” (é mesmo?)
    21.“Mais Médicos®”
    22.PT = “Controle social da mídia” [™] (hi! hi! hi!): desejo do petismo.
    23.“Brasil Carinhoso©” [que momento açucarado].
    24.“Bolsa Família®”
    25.“SKOL®: a Cerveja que desce RedondO”.
    PT© é vigarista e aderente ao charlatanismo.
    Vive de ótimos e CALCULADOS mitos publicitários.
    É o tal de: “me engana que eu compro”.
    Produtos disfarçados, embalagens mascaradas e rótulos mentirosos. PT™!
    Nós todos apreciamos consumir alguma coisa, com certa constância. Então isso seria bom… Mas não nesse caso. PT™ é uma farsa, um simulacro. PT é puro lixão.

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    • Martha Hirsch Aulete,
      Não sei até que ponto você faz uma imitação do que diz um ou outro político contra o PT ou se você realmente considera que “[T]ambém com a desgraça dos infernos do PT® no poder, tinha de surgir Bolsonaro. Bolsonaro é conseqüência do petismo”.
      Há muitas lideranças como Bolsonro no mundo. É preciso entender a razão de radicais de direita terem assumido poder no mundo. Recomendo a leitura do post “O Grande Mal Estar, por Diogo Costa”, quarta-feira, 25/10/2017, de autoria de Diogo Costa e publicado no blog de Luis Nassif no seguinte endereço:
      https://jornalggn.com.br/opiniao/o-grande-mal-estar/
      Além do post há nele dois comentários meus com links para artigos que analisam esse crescimento da direita. E uma relação de líderes autoritários no mundo pode ser visto no post “Bolsonaro é incluído em livro francês sobre líderes autoritários do mundo” de sábado, 16/11/2019 às 07h49, de autoria de Daniel Buarque no Blog do Brasilianismo e que pode ser visto no seguinte endereço:
      https://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/2019/11/16/bolsonaro-e-incluido-em-livro-frances-sobre-lideres-autoritarios-do-mundo/?cmpid=copiaecola
      Por ser extremamente tosco eu sempre comparo Bolsonaro com Rodrigo Duterte, presidente da Filipinas. Agora no discurso eles todos são parecidos. E não há PT por detrás da ascensão de qualquer um deles.
      Abraços,
      Clever Mendes de Oliveira
      BH, 08/06/2020

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  • Ricardo Cappelli,
    Visto do outro lado, a insistência de não se render ao PT pode ser considerada como uma tentativa de cair de pé?
    É claro que não se pode esperar de quem só olha em um sentido capacidade de ver o que vem em sentido contrário. Se esse for o que lhe ocorre também não se pode negar a Lula o direito de não ver o que vem em sentido contrário. E ai talvez não se possa acusar você o desejo de querer cair de pé. Você como Lula apenas não são capazes de perceber os ventos contrários. Pode-se até medir esta incapacidade. Ela é maior a medida que é mais forte, ou seja, mais perceptível o vento contrário.
    Abraços,
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 08/06/2020

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  • Como de costume, Cappelli escreve belo artigo, sintetizando muitos elementos da conjuntura.
    Questiono um item específico. Ele diz que “pelo menos 30% é de lulistas” no somos70%.
    Referiu-se à organização do movimento? Se sim, pode ter informações que desconheço.
    Ou se referiu ao conjunto de forças que expressaram 72% de rejeição a Bozo na pesquisa DataFolha do início de junho (o movimento surgiu disso)? Nesse caso, a afirmação parece incorreta. 1- Lula pontuou abaixo de 30% em todas as pesquisas de intenção realizadas até agora. 2- Em 2018, Haddad teve 29,3% no 1º turno. 3- Desde a eleição de Bolsonaro, nada indica que o PT ganhou força.
    Onde Cappelli viu 30% de lulistas? Pitaco por pitaco, meu pitaco é que hoje “menos de 25% é de lulistas”.

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