Roda Viva: O maravilhoso mundo de Meirelles

Henrique Meirelles no Roda Viva

O convidado do programa Roda Viva desta semana foi o ex-ministro Henrique Meirelles. DISPARADA, neste espaço, continuará com sua série de matérias, semana após semana, cobrindo as entrevistas com os pré-candidatos à presidência da república.

Meirelles é um homem sereno, quase insosso. Na aparência é o estereótipo do burocrata do mundo financeiro: mal vestido, prolixo e pouco dado aos reclames reais de um povo que não se preocupa com swap cambial.  Foi presidente do Banco Central do governo Lula e Ministro da Fazenda do governo Temer. É competente e disciplinado, inclusive tendo sido a indicação de Lula para o incipiente e incompetente ministério de Dilma. Dito isto, vamos à entrevista.

O ex-ministro fala de sua candidatura com ânimos de defunto. Não descarta ser vice e faz apostas em supostos trackings – pesquisas internas de partidos, de circulação restrita – que apontam um alto índice de votos dentro do nicho de pessoas que conhecem seu trabalho. Uma equação ótima para quem já sabe que não tem a menor chance de eleger-se. Principalmente depois de um fim de semana que evidenciou a devida pá de cal do povo brasileiro no governo de Temer/Meirelles.

Repetiu o receituário do governo que representa: a necessidade do teto de gastos (mesmo sabendo da dificuldade em cumpri-lo), a insistência no projeto atual de reforma da previdência ( rejeitado por todo país, indiscriminadamente) e privatização de setores chave, como a Eletrobras.

Mostrou-se sensível aos problemas sociais, trazendo a tona em várias oportunidades seu passado de ministro do lulismo. A bancada, hoje mais discreta, apenas esqueceu de cobrá-lo pelo caos social causados pelos seus desmandos. Seja nas taxas de juros do lulismo ou no desmonte geral de Temer.

Meirelles não parecia convicto em nenhuma de suas respostas, foi favorável à cobrança de mensalidades nas universidades públicas e contra a cobrança do SUS, mostrando que seu liberalismo à brasileira é realmente um fenômeno no mínimo controverso.

O Ministro não possui qualquer noção da realidade brasileira fora dos cerimoniais chiques que participa.

Confrontado com a pergunta direta: “o que é o Brasil, o que é a cultura do brasileiro?”, ficou inerte, numa situação tragicômica que evidenciou a completa falta de intimidade com o país. Tentou puxar pra “simpatia”, “futebol” e generalidades que qualquer gringo diria. Deprimente.

O resto? Mostrou-se efusivamente contra o armamento e comprometeu-se com a pauta identitária, dizendo que teria “muitos negros e mulheres em seu ministério”. Comentário último que não surpreendeu, já que em Wall Street – de onde ele puxa toda sua política – já entendeu que acoplar-se a esses movimentos é melhor que negá-los.

Quando questionado sobre a política de combustíveis e a crise dos caminhoneiros, Meirelles apresentou uma solução diferente e interessante. Um fundo especial capitalizado com tributos para conter as oscilações no preço. Tal fundo seria capitalizado através de impostos como PIS/CONFINS que teriam suas alíquotas voláteis conforme a variação internacional do petróleo.

Henrique Meirelles vive num mundo à parte. Repetiu diversas vezes que o projeto do PMDB e de Temer foram “bem sucedidos”. Quase um disparate. Sorte que 82% do Brasil discordam dele.

Meirelles voltará ao mundo do capital financeiro, de onde, no fundo, nunca saiu.

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