Se você fosse sincero: João Doria e Márcio França na Band

A Band, emissora do Grupo Bandeirantes, realizou na noite desta quinta-feira o primeiro debate entre candidatos ao governo de São Paulo. O ex-prefeito de São Paulo João Doria e o governador do Estado, Márcio França, protagonizaram o debate mais quente desta disputa eleitoral até o momento. As notícias que vêm do Rio – e de seu debate – parecem reivindicar o posto. Veremos.

A plateia foi um show à parte. “Comunista”, “filho da puta”, “petista”, “traidor”, “falso”, “mentiroso”, “ladrão”. O apresentador chegou a ameaçar expulsar alguns apoiadores mais exaltados. Mas isso só no terceiro bloco. Até então o pau comeu, com momentos dignos de programa do João Kleber.

João Doria é um marqueteiro em forma de candidato. Repete as palavras como se fosse esquecê-las, enquanto as dribla com bordões previamente decorados. Neste segundo turno, Dória quis ser o Bolsonaro, mas não é autenticamente idiota quanto seu imitado. Soa falso e prepotente. Acusou o candidato França de: socialista, petista enrustido, conselheiro do Lula (?), amigo do Zé Dirceu (?) e DE TER UMA ILHA. Parece que logo depois arrependeu-se da última, pois não mais repetiu.

Doria repete muito. Além de ser uma figura já tradicional do folclore brasileiro, o self-made man metido a eficiente, parecia uma versão mais burguesa (e dá?) do Maluf. Tentou a todo custo colar sua imagem à de Bolsonaro, sendo inclusive ridicularizado por seu adversário. Passou o debate todo elogiando o capitão da Caixa 2. Em seus poucos momentos de preposição não lunática, apresentou o beabá liberal da profundidade de uma xícara. O momento mais verdadeiro de Doria no debate foi quando pediu para aumentar a temperatura, pois sua garganta não aguentaria. O resto foi roteirizado.

Márcio França, que apesar de cordial é ardiloso (nas palavras de Doria), defendeu-se. Acusou Doria de ter traído seu partido(PSDB) e seu padrinho Alckmin. Também lembrou que o ex-prefeito comprou uma rua para especulação imobiliária, não cumpriu seu mandato na prefeitura (após jurar fazê-lo) além de revelar que Doria pegou dinheiro do governo Lula para comprar seu avião. Chamou seu oponente de mentiroso compulsivo e por fim, lembrou-o de seus antigos amigos: Eike e Aécio. Nos momentos em que conseguiu se posicionar em temas concretos foi bem. Falou corajosamente contra a política de encarceramento de Doria e fez falas bem acertadas quanto à educação. O resto foi festa. Márcio França não parecia tão abatido quanto Doria. Tirou sarro do oponente e inclusive arrancou riso da platéia algumas vezes. Na maior delas, cantarolou uma paródia da marchinha carnavalesca “Aurora” que promete atormentar o ex-prefeito paulista por muito tempo:

– “Se você fosse sincero, ôôôô, ô Doria. “

Se ele fosse sincero estaria na prefeitura de São Paulo.

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