O silêncio do falante Mourão

Mourão voltou falante da China, onde recebeu tratamento de chefe de estado, e deu entrevista ao Valor.

Tem coisa que se aproveita. Nada de vetar a tecnologia 5G da Huawei como quer Trump (“Aqui não.”), investimentos chineses em infraestrutura são bem-vindos, as vantagens políticas e culturais da China na guerra comercial com os EUA (“eu enxergo que o chinês é um cara paciente”), a necessidade do Brasil não se alinhar automaticamente aos EUA, Nova Rota da Seda, seu interlocutor no Itamaraty (o Secretário-Geral Otávio Brandelli).

Outras afirmações são pura ideologia. Rússia e Cuba são os agentes externos responsáveis pela crise e Cuba pode ser comprada por um punhado de barris de petróleo para abandonar Maduro. Macri é melhor do que Kirchner para a Argentina.

Reclamou de ter viajado à China num avião “pinga-pinga”.

A parte irônica da entrevista é a decisão de mandar alguns membros do governo para a “face oculta da lua” com a expedição espacial chinesa.

Mourão no jogo.

Ao voltar de um país em que o Estado comanda o processo econômico com poderosas empresas nacionais estatais e privadas, poderia dizer uma palavra em favor das nossas estatais, como a Petrobras, que está sendo esquartejada para ser vendida como carne de terceira em fim de feira, com Supremo e tudo,

Nenhuma palavra, no entanto.

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