JONES MANOEL: “Neostalinismo”, socialismo e a pandemia do covid-19

No começo de 2014, lendo uma entrevista de José Paulo Netto na Revista Novos Temas, vejo ele declarar que as experiências socialistas do século XX, com todos os seus erros e tragédias, foram essencialmente positivas para humanidade e que seu legado não pode ser desprezado. Essa frase de Zé Paulo me marcou bastante. Na época era seguidor do trotskismo, um recém iniciado no marxismo e leitor ávido do site do PSTU (embora já fosse militante da UJC).

O tempo passou. A partir de 2017, comecei a defender com afinco e atenção esse legado positivo das experiências socialistas e combater o anticomunismo e a autofobia. No final de 2018 e todo 2019, em uma campanha histérica, fui atacado de vários lados por supostamente ser o líder, o guia teórico, de uma reabilitação do stalinismo ou “neostalinismo”. Ainda em 2019, um marxista de referência na minha formação, o grande Domenico Losurdo, também passou a ser atacado de forma sistemática. Só em um site que não vale a pena citar o nome, em 3 meses, foram 26 textos criticando eu, Losurdo e o “neostalinismo”.

Estamos em 2020. O mundo passa por uma pandemia que já causou milhares de mortos com risco de chegar na casa dos milhões – e isso conjugado com uma crise capitalista.

O Vietnã garante a vida dos seus 95 milhões de habitantes e não tem nenhuma morte por covid-19, mesmo fazendo fronteira com a China. China controla o vírus e segundo a OMS, suas políticas ajudaram a evitar a contaminação de dezenas de milhões de pessoas. A China, junto com Cuba, ajuda mais de 130 países pelo mundo. Cuba, além de sua incrível e sempre bela solidariedade internacional, mantém o covid-19 em situação administrada.

Sem entrar na polêmica da China ser ou não socialista, é fato INEGÁVEL (nem os analistas burgueses negam) que foram os elementos de planificação de sua economia, a capacidade de mobilização do Partido Comunista e a eficiência das políticas públicas que garantiu o que a OMS chamou de a maior, mais eficaz e impressionante política de contenção de uma pandemia. Cuba, Vietnã e Coreia Popular, através de suas economias planificadas, sistemas de saúde, políticas públicas universais, capacidade de mobilização dos partidos, conseguem também ser exemplo.

Os negacionistas do socialismo, do socialismo do passado e do atual, os que só conseguem ver as tragédias e erros, aqueles que resumem nossa história no século XX a um grande gulag, precisam, agora, olhar para Brasil, Estados Unidos, Itália, Sérvia, Equador, Inglaterra e tantos outros países e depois prestar bastante atenção nas experiências socialistas.

O socialismo, que não é perfeito, têm muitos problemas. Mas como disse certa vez meu amigo Paulo Lira: são problemas de outra ordem. Não se trata mais de acabar com a barbárie. Mas de sempre melhorar.

A história é implacável! E a realidade grita!

“O pior socialismo é preferível ao melhor capitalismo” – Gyorgy Lukács

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