O que um monastério de 800 anos tem a ver com a caça ao Papa Francisco

Reproduzimos no último domingo uma notícia sobre a disputa entre Steve Bannon e o Papa Francisco.

Bannon é ex-estrategista de Donald trump, atual líder internacional das pautas do populismo de direita e aliado próximo de Bolsonaro. De acordo com ele, inclusive, Bolsonaro é o melhor representante do seu movimento, ao lado do italiano Matteo Salvini.

O eixo Bannon-Bolsonaro é conhecido. O que desperta a curiosidade é a investida do estrategista estadunidense contra o Papa Francisco.

O MONASTÉRIO DO BANNONISMO CONTRA O PAPA

Em Roma, Bannon concedeu entrevista à rede de televisão MSNBC, com sede em Nova Iorque. A entrevista foi ao ar há três dias.

Seu problema com o Papa, segundo ele mesmo diz, é por conta da crise que o Vaticano enfrenta em relação à pedofilia. Para ele, o Papa não está tratando a questão da forma como uma crise deve ser tratada.

Outro entrevistado, John Carr, professor da Universidade de Georgetown, alega que o movimento capitaneado por Steve Bannon está instrumentalizando a crise de abuso sexual para debilitar a autoridade, a liderança e a imagem do Papa Francisco.

Ainda, Bannon estaria recorrendo a um milhão de dólares de seu próprio bolso para reformar um monastério de 800 anos na Itália. O monastério contará com um quarto para Bannon, que viverá ali periodicamente, e funcionará como um monastério do “Bannonismo”.

O local deve ser utilizado como escola de formação para uma nova geração de populistas com valores da tradição judaico-cristã.

Segundo a mídia alemã Deutsche Welle, o monastério do século XIII, construído em 1204 no topo de uma montanha ao sul de Roma, será um “campo de treinamento populista conduzido por  Steve Bannon”.

Fato é que Bannon lidera um ataque coordenado à legitimidade do Papa Francisco. O monastério, tão próximo do Vaticano em momento de ofensiva, certamente operará como centro de difusão de conteúdo político contra Francisco. Por outro lado, o projeto de instalar fisicamente um think tank conservador nas proximidades do Vaticano revela que não se trata de uma iniciativa temporária, mas do lançamento das bases de uma ação de longo prazo para tomar o controle da Igreja.

Bannon não age isoladamente. Seus contatos dentro da burocracia do Vaticano são conhecidos, como por exemplo o conservador Raymond Burke, estadunidense nomeado cardeal por Bento XVI (Josef Ratzinger).

No início deste ano, o Papa condenou pautas caras aos populistas de direita ao se posicionar contra o comércio de armas, contra a guerra na Síria e ao pedir solidariedade com os refugiados que chegam à Europa. Além disso, o Papa convocou um maior compromisso em torno do combate ao aquecimento global, questão que o populismo de direita não reconhece.

 

 

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