Bola no meio do campo: teremos que recomeçar do zero!

O que não tem remédio remediado está. Os neoliberais ganharam a primeira batalha por caminhos insuspeitos unindo um candidato moralmente desprezível a um ideólogo neoliberal intelectualmente limitado, porém obsessivo e audacioso. Não adianta chorar pelo leite derramado. O que está acontecendo em matéria de destruição das bases nacionais da economia era perfeitamente previsível; o que está acontecendo em matéria de destruição das bases sociais de convivência relativamente harmônica da sociedade foi anunciado.

Nessa altura do jogo, não faz sentido ridicularizar os “coxinhas” pela estupidez na votação para presidente. Ninguém ganha nada com isso. Aliás, proponho a todas as forças progressistas abolir completamente qualquer alusão a “erro” na escolha presidencial. É que esse erro, perfeitamente evitável, em grande parte se deveu às escolhas do lado progressista, em especial a insistência do PT, e, portanto, de Lula, na escolha de candidato “hegemônico” de esquerda. Por que não arquitetaram a candidatura de Roberto Requião ou de Ciro?

Que seja lembrado, além disso, que a vitória de Haddad seria a porta de entrada  para  mais um golpe de Estado formal. A esquerda subestimou o efeito do massacre midiático contra ela em 13 anos de ataques a sua moral política. A extensão disso se viu não apenas na eleição de Bolsonaro, mas sobretudo na eleição do Congresso, em grande parte tomado por figuras inexpressivas que jamais conquistariam um mandato não fosse a situação política singular em que estávamos. Tudo isso, portanto, está feito. É preciso pensar no que fazer.

Não podemos esperar por um líder carismático como Lula, que levante as massas na base de uma  conversão geral ao nacionalismo e à denúncia da venda do país ao grande capital internacional, sobretudo o norte-americano. Infelizmente, Lula está neutralizado. Terá que ser, pois, uma liderança coletiva com credibilidade  na sociedade e, sobretudo, que apresente um programa econômico concreto, nacionalista, com o objetivo estruturante do pleno emprego, que se torne, no   capitalismo domesticado, uma âncora do Estado do bem estar social.

Quem será essa liderança coletiva? Pelos partidos é praticamente impossível, pois estão às voltas com a própria reconstrução depois do massacre midiático. Entretanto, há algo maior que o sistema partidário, o Executivo, o Legislativo, o Judiciário, todos cooptados pelo poder dominante que vem de fora. Maior que todos eles individualmente ou juntos é a sociedade. Claro que o limitante da sociedade civil é a dispersão social e geográfica, e a vulnerabilidade à manipulação midiática controlada pela classe dominante.

Entretanto, não há outra saída. Da situação amorfa em quem se encontra a sociedade civil deverá surgir progressivamente uma liderança coletiva, e da liderança coletiva, um líder carismático populista. No entanto,  muita coisa ainda será destruída. Inclusive as grandes empresas estruturantes em suas áreas, Petrobrás e Eletrobrás. Pode-se pensar que se trata de objetivo ideológico. Não é. Estamos no radar de Donald Trump, que quer o Brasil dominado pelo capital externo e vassalo de suas ambições na luta que empreende contra a Rússia.

Aos mais jovens deixo um recado: paciência,  chegará o dia da vingança de Deus! Aos mais velhos,  como eu, insisto: ajudem a Deus enquanto tem tempo, pois a recompensa está também no caminhar, não apenas no fim do caminho!

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