Thomas Shannon e a Lava-Jato como arma contra o Brasil

Thomas Shannon, ex-embaixador dos Estados Unidos para o Brasil, confessou a sangue frio que a Odebrecht e o projeto de integração sul-americano ameaçavam os interesses norte-americanos para a América Latina. As declarações do burocrata estadunidense podem não ser exatamente uma surpresa para quem acompanha as consequências desastrosas das ações do Partido da Lava-Jato em todo continente, mas com certeza chamam a atenção pela clareza.

A entrevista de Thomas Shannon foi concedida a uma “ONG” sediada em Washington chamada International Consortium of Investigative Journalists para um projeto intitulado “Bribery Division” – Divisão de Propinas. No site do referido projeto, a tal “ONG” lista triunfantemente os políticos latino-americanos destruídos sob os auspícios da Lava-Jato em conluio com os EUA. O grupo dos “troféus” impressiona: Maurice Funes, ex-presidente de El Salvador, Ricardo Martinelli, ex-presidente do Panamá, Jorge Glas, vice-presidente do Equador e muitos chefes de Estado peruanos, desde Alan Garcia até Pedro Pablo Kuczynski. Não menos relevante e estampado em primeiro lugar está o nome de Luís Inácio Lula da Silva.

O site Poder360, um dos poucos veículos brasileiros convidados para o projeto, publicou uma reportagem a respeito das declarações de Thomas Shannon. Nelas, o burocrata afirma cristalinamente que os Estados Unidos enxergavam com receio as iniciativas do governo brasileiro em criar um bloco político coeso e forte na América do Sul.

O ex-embaixador cita precisamente as obras de infraestrutura da Odebrecht em diversos países latino-americanos como um sinal das “intenções do Brasil” em fomentar a integração latino-americana. Mais para frente, como o Conjur destaca, Thomas Shannon diz que essas iniciativas seriam um obstáculo para a formação da Área de Livre Comércio das Américas, a famosa ALCA, grande interesse do Tio Sam para a América Latina.

Depois de servir por 3 anos como embaixador dos EUA para o Brasil, Thomas Shannon trabalhou mais alguns anos para o todo poderoso Departamento of State – o Departamento de Estado, responsável pelas decisões estratégicas do Império Estadunidense. O próprio Thomas Shannon diz que mesmo quando foi para este segundo posto continuou a olhar com atenção para os eventos em nosso país. Coincidência ou não, foi durante esse período que a Lava-Jato iniciou suas atividades contra o Brasil.

Como já mostramos no caso da Braskem, as ações da Lava-Jato coagiram empresários brasileiros que se viram obrigados a entregar o controle acionário dessas empresas estratégicas para o país na mão de estrangeiros. Entre outras coisas, os acordos assinados obrigavam que as empresas brasileiras como a Odebrecht entregassem relatórios com informações sensíveis para o interesse nacional para órgãos dos Estados Unidos.

Thomas Shannon mais uma vez mostra que os Estados Unidos não podem tolerar um levante do Brasil. Entre 1930 e 1964, quando o Brasil ousou erguer seu punho por meio de Vargas e de Brizola, fomos vítimas das mais insidiosas agressões imperialistas por parte dos Estados Unidos, culminando no golpe militar. Agora, mesmo com todos os nítidos sinais de convívio com o establishment financeiro por parte dos governos petucanos no início do século XXI, os tímidos ensaios desenvolvimentistas nesse período marcadamente neoliberal foram suficientes para ameaçar a cada vez mais frágil hegemonia do Império Estadunidense sobre a América Latina.

A verdade é que os Estados Unidos têm medo do Brasil. Somos os portadores da mudança em todo hemisfério. Até quando vamos nos acovardar de nosso papel histórico?

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