Vários ângulos sobre o encontro entre Trump e Kim Jong-un

Donald Trump e Kim Jong-un encontraram-se em Singapura para o que foi um histórico primeiro encontro já realizado entre líderes dos dois países. Após o encontro, o presidente dos Estados Unidos e o líder da Coreia do Norte assinaram um documento conjunto, cuja íntegra não foi divulgada ao público.

De um lado, a Coreia do Norte se comprometeu a alcançar a desnuclearização completa da Península Coreana. De outro, os EUA prometeram que irão providenciar garantias de segurança à Coreia do Norte.

Apesar de vago em suas especificações, já que o documento não detalha que tipo de garantia de segurança será fornecida pelos EUA à Coreia do Norte ou de que forma, exatamente, será essa “desnuclearização completa” com a qual se comprometeram os norte-coreanos, as consequências do encontro parecem ser absolutamente positivas.

Jogos de Guerra 

Após o encontro, Trump anunciou o fim dos exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul. Essa é uma determinação interessante, visto que o encontro entre o presidente dos EUA e Kim Jong-un quase foi cancelado às vésperas em função dessa prática muitas vezes repetida entre os americanos e os sul-coreanos.

Coreia do Sul 

O correspondente-chefe global da NBC News, Bill Neely, afirmou em seu twitter que as autoridades sul-coreanas não tinham conhecimento prévio da decisão dos Estados Unidos de cancelar os exercícios militares conjuntos, e ainda estão tentando obter informações sobre o caso.

China 

O Ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, elogiou o encontro entre Donald Trump e Kim Jong-un. A China busca há anos uma solução para desnuclearizar a Península Coreana.

Rússia

Assim como os chineses, os russos já vinham trabalhando a favor da desnuclearização das Coreias. Os russos costumam criticar, igualmente, a prática de exercícios militares conjuntos entre EUA e Coreia do Sul. Após o encontro, autoridades da Rússia declararam estar prontas para colaborar com os resultados

Multilateralismo

Diversas partes estão interessadas em auxiliar no processo de desnuclearização da Península. China e Rússia, até mesmo pela proximidade geográfica, já demonstraram que poderão tentar transferir cada vez mais a iniciativa do âmbito bilateral entre EUA e Coreia do Norte para a esfera multilateral, como as Conversações de Seis Partes, grupo formado em 2003 por Japão, Rússia, China, Coreia do Sul e Estados Unidos para negociar com os norte-coreanos. Evitar a marginalização deverá ser o objetivo de cada potência no processo. Ninguém quer ficar sem voz nos acontecimentos asiáticos neste século XXI.

Brasil 

O Brasil é o único país das Américas que possui representação diplomática na Coreia do Norte e na Coreia do Sul. Em 2009, o governo brasileiro e o governo norte-coreano assinaram um acordo de cooperação técnica e econômica, que ainda tramita no Congresso para aprovação. O Brasil possui a oportunidade histórica de firmar-se como um parceiro da Coreia do Norte em áreas que figurarão importantes no futuro do país asiático, ampliando a presença construtiva do Brasil na região.

Abertura

Até então, era tido como certo que o abandono do programa nuclear levaria a uma desintegração do regime político norte-coreano. Hoje, a imprevisibilidade é total, pois a conquista de um encontro capaz de normalizar as relações diplomáticas entre antigos inimigos reverte todos os elementos da equação. Ninguém sabe até onde irá a amizade entre EUA e Coreia do Norte, ou até que ponto chegará o projeto de desnuclearização. De qualquer forma, a eventual troca do programa nuclear pelas vantagens do fim do isolamento econômico só será possível em virtude do próprio sucesso do programa nuclear norte-coreano. Países igualmente isolados, como Cuba, por exemplo, não possuem a mesma moeda de troca com os EUA.

1 Comentário

Deixe uma resposta