CHRISTIAN LYNCH: Um tiro pela culatra?

Por Christian Lynch – Depois dos acontecimentos de ontem, há uma chance de que o sistema político americano deixe de lado a leniência e passe a reprimir o fascismo trumpista. Isso nos interessa porque o destino que couber a Trump afetará o modo por que a política brasileira encara o bolsonarismo.

A estratégia de Trump depois da derrota, ao inventar a lorota da fraude, foi a de radicalizar a intransigência para deixar a base mobilizada e demonstrar força para que o partido republicano continue debaixo de sua influência, a fim de voltar nas próximas eleições. Mas o tiro pode sair pela culatra depois dos acontecimentos de hoje, porque Trump se revelou uma ameaça para o sistema político como um todo, e acabou por fortalecer a ala republicana contrária à sua ditadura partidária.

A retomada das sessões do Congresso nas próximas horas serviu de termômetro para aferir os impactos dos acontecimentos.

Continuarão os republicanos trumpistas tentando obstruir o reconhecimento de Biden? Caso negativo, poderá estar a caminho uma reação mais firme. Se essa reação se efetivar, com a responsabilização de Trump, ficará claro o quão longe ele foi e quanto foi imprudente em seus cálculos. E a estratégia de sobrevivência político-partidária na oposição, controlando o Partido Republicano, irá por água abaixo.

O bolsonarismo é uma subsidiária do trumpismo e seus carinhosos acenos de solidariedade a Trump nos últimos dias foram sinais emitidos de que se trata de uma aliança duradoura – a “Aliança para o Regresso”, envolvendo transferência de tecnologia de destruição democrática. Caso o sistema político americano acabe com a leniência e dê um basta a Trump, punindo-o, esse fato certamente abalará o movimento neofascista internacional, animando também o sistema político brasileiro a reagir contra a barbárie bolsinarista.

A ver.

Por: Christian Edward Cyril Lynch.

Por Christian Lynch - Depois dos acontecimentos de hoje, há uma chance de que o sistema político americano deixe de lado a leniência e passe a reprimir o fascismo trumpista. Isso nos interessa porque o destino que couber a Trump afetará o modo por que a política brasileira encara o bolsonarismo.

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