VAZA-JATO: Dallagnol diz que teve “encontros fortuitos” com Gebran, desembargador do TRF-4

Nesta sexta-feira (12), a revista Veja em parceria com o The Intercept Brasil divulgou novas conversas que indicam a ocorrência de diálogos impróprios entre Deltan Dallagnol e João Pedro Gebran Neto, desembargador relator dos processos da Operação Lava-Jato no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4).

Parte dos diálogos nos quais o desembargador é citado fazem referência a Adir Assad, um dos operadores de propinas da Petrobras e de governos estaduais, preso pela primeira vez em março de 2015. Adir foi condenado por Sergio Moro a nove anos e dez meses de prisão por corrupção, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Dallagnol, cinco meses antes do julgamento do caso pelo TRF4, comenta em um grupo com colegas do MPF que Gebran estaria achando fracas as provas do caso Assad.

VAZA-JATO: Dallagnol diz que teve "encontros fortuitos" com Gebran, desembargador do TRF-4
Em 5 de junho de 2017 o assunto é retomado em conversa entre Dallagnol e o procurador Carlos Augusto da Silva Cazarré, membro da força-tarefa da Procuradoria Regional da República da 4ª Região, que atua junto ao TRF4.
O diálogo ocorreu nas vésperas do julgamento do recurso de Assad pelo TRF4 e Deltan mostrou-se ainda preocupado com a absolvição do então condenado em primeira instância por Moro. Seu temor estaria ligado a uma negociação de delação da força-tarefa com Adir pois, caso absolvido, poderia desistir do acordo, que acabou sendo firmado em 21 de agosto de 2017.
“Cazarré, tem como sondar se absolverão assad? Parece que o Gebran tava tendendo a absolver… se for esse o caso, talvez fosse melhor pedir pra adiar agilizar o acordo ao máximo para garantir a manutenção da condenação…”, disse Deltan. Cazarré responde: “Olha Quando falei com ele, há uns 2 meses, não achei q fisse (sic) absolver… Acho difícil adiar”.

Em seguida, Dallagnol volta a citar o desembargador: “Falei com ele umas duas vezes, em encontros fortuitos, e ele mostrou preocupação em relação à prova de autoria sobre Assad…” e finaliza pedindo que o colega não comente nada com Gebran sobre os “encontros fortuitos” (denominados por ele como “nova modalidade de investigação”), “para evitar ruídos”.Deltan Dallagnol teria comentado com colegas do MPF que Gebran estaria achando as provas no caso Assad fracas. A conversa aconteceu cinco meses antes do julgamento do caso em segunda instância no TRF4. O assunto voltou a ser comentado no dia 5 de junho de 2017, em conversa de Dallagnol com o procurador Carlos Augusto da Silva Cazarré, membro da força-tarefa da Procuradoria Regional da República da 4ª Região, que atua juntamente com o TRF4.

As provas que Gebran teria considerado como “fracas” eram depósitos realizados por ex-empresas de Assad em contas dele mesmo. Seu álibi era o fato de já ter vendido as empresas na época em que foram usadas para escoar dinheiro desviado da Petrobras. A sentença de Moro concluiu, contudo, que Assad permanecia no comando de algumas das empresas utilizadas para escoar esse dinheiro e o condenou.

Em junho de 2017, essa condenação foi confirmada por Gebran, seguido por dois outros desembargadores da 8º Turma do TRF4.

Procurado pela reportagem da Veja, Deltan não quis se manifestar. Gebran, por sua vez, respondeu às questões enviadas pela revista por e-mail, afirmando que “Em relação ao réu Adir Assad (ou qualquer outro réu), trata-­se de questão processual e que somente autoriza manifestação nos autos, pelo que nunca externei opinião ou antecipei minha convicção sobre qualquer processo em julgamento”.

Na avaliação do jornalista Glenn Greenwald, editor do Intercept, essa nova reportagem da Vaza Jato invalida o argumento de que a condenação de Lula por Moro não estaria contaminada, já que validada por outras instâncias.

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